O Brasil abriu 255,3 mil vagas com carteira assinada em fevereiro de 2026, segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado nesta terça-feira (31) pelo Ministério do Trabalho. O resultado é o mais fraco para um mês de fevereiro desde 2023.
Em relação ao mesmo mês do ano anterior, a retração é de quase 42%: fevereiro de 2025 havia registrado 440,4 mil postos formais criados. No acumulado de janeiro e fevereiro, o saldo chega a 370,3 mil novos empregos — ante 594,9 mil no mesmo bimestre de 2025.
Todos os setores no azul, mas comércio decepciona
Os cinco grandes setores da economia brasileira registraram saldo positivo em fevereiro. O setor de serviços liderou em volume absoluto de contratações. O comércio, por sua vez, foi o que menos contratou no período, fechando o mês na lanterna entre os segmentos monitorados pelo Caged.
No acumulado de janeiro e fevereiro de 2026, o saldo de 370,3 mil empregos formais representa uma retração expressiva frente ao mesmo bimestre de 2025, quando foram criados 594,9 mil postos — diferença superior a 220 mil vagas em apenas dois meses.
Segunda pior abertura de fevereiro da série histórica
A série histórica do Caged, iniciada em 2020 após mudança metodológica adotada pelo governo federal, revela que o resultado de fevereiro de 2026 é o segundo pior da série para o mês. Fica acima apenas dos 252,5 mil empregos abertos em fevereiro de 2023. Analistas ressaltam que comparações com períodos anteriores a 2020 não são adequadas pela alteração na metodologia de apuração.
O Caged contabiliza exclusivamente trabalhadores com carteira assinada no setor privado, excluindo servidores públicos, autônomos sem vínculo formal e toda a parcela informal da força de trabalho brasileira.
O paradoxo do mercado de trabalho em 2026
O desempenho do Caged convive com uma contradição aparente: poucos dias antes da divulgação, o IBGE havia revelado que a taxa de desemprego em fevereiro atingiu o menor nível histórico para o mês, de 5,8%, segundo a PNAD Contínua — metodologia que, ao contrário do Caged, inclui trabalhadores informais e autônomos.
A divergência entre os dois indicadores expõe dinâmicas distintas do mercado de trabalho: enquanto a geração de empregos formais desacelera, a ocupação total segue aquecida. O quadro sugere que parte dos trabalhadores está encontrando colocação fora do mercado regulamentado — seja no trabalho por conta própria, seja em atividades sem proteção previdenciária.
Os resultados do Caged e da PNAD Contínua não são diretamente comparáveis: cada levantamento mede um recorte diferente da força de trabalho, com universos e metodologias distintos. Para economistas, acompanhar os dois indicadores em conjunto é o caminho mais seguro para compreender o real estado do emprego no Brasil.
