Economia

Rotativo do cartão sobe para 436% ao ano e aprisiona 40 milhões de brasileiros

Inadimplência bate 63,5% na linha mais cara do mercado; presidente do BC pede debate estrutural sobre crédito
Torre do Banco Central em composição editorial sobre crise de juros cartão de crédito rotativo

Os juros do cartão de crédito rotativo chegaram a 436% ao ano em fevereiro, segundo o Banco Central. O índice é 30 vezes maior que a taxa básica da economia e consolida o rotativo como a linha de crédito mais cara do mercado financeiro.

Cerca de 40 milhões de brasileiros estavam endividados nessa modalidade em janeiro. A taxa de inadimplência chegou a 63,5% — um dos patamares mais elevados das últimas décadas, segundo o próprio BC.

Regra do teto e os limites da proteção

Desde janeiro de 2024, uma lei aprovada pelo Congresso e pelo governo limitou o endividamento no rotativo: o total cobrado — incluindo juros e encargos — não pode ultrapassar o dobro do valor original da dívida. Quem deve R$ 100 não pode acumular mais de R$ 200 em débito. O IOF fica de fora desse cálculo, e a regra vale apenas para contratos firmados a partir daquela data.

A medida criou um teto, mas não reduziu o custo do crédito. O Brasil ocupa o segundo lugar no ranking global de maiores juros reais do mundo — cenário que encarece todas as linhas de crédito e dificulta a reorganização financeira de quem já está endividado, como aponta o levantamento do Tropiquim sobre a posição do país no ranking global de juros reais.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou na semana passada que 101 milhões de brasileiros usam cartão de crédito. Para ele, o problema é estrutural: as pessoas estão recorrendo ao rotativo — uma linha emergencial — como se fosse parte da renda mensal. Galípolo defendeu a criação de arranjos de crédito mais adequados para quem mais precisa.

Consignado como saída — e o FGTS que não saiu do papel

Para reduzir a dependência do rotativo, o governo lançou o crédito consignado para trabalhadores do setor privado. A modalidade completou um ano com R$ 84 bilhões em contratos, mas a regulamentação do FGTS como garantia — apontada pelo governo como principal mecanismo para baratear os juros — ainda não foi implementada.

O quadro se agrava em um paradoxo já documentado: mesmo com o desemprego no menor nível histórico, milhões de brasileiros seguem presos no ciclo do rotativo, que lidera o ranking da inadimplência no país.

Com as eleições se aproximando, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva demonstra preocupação crescente com o endividamento da população. Os dados do BC mostram que o nível atual está entre os mais altos das últimas décadas — e o cenário pressiona o governo a avançar nas promessas de crédito mais barato antes do ciclo eleitoral.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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