O papa Leão XIV nomeou nesta segunda-feira (30) o pesquisador Carlos Nobre como membro do dicastério que trata de desenvolvimento humano integral no Vaticano.
Nobre é o único brasileiro entre os nomeados. Referência global nos estudos sobre mudanças climáticas e a Amazônia, ele acumula o reconhecimento pontifício a uma lista de honrarias internacionais conquistadas ao longo de décadas de pesquisa.
A nomeação foi comunicada oficialmente pelo papa em documento que lista uma série de integrantes para o dicastério — uma espécie de conselho temático da Santa Sé. O órgão tem como foco o desenvolvimento humano em sentido amplo, incluindo questões sociais, ambientais e científicas.
Carlos Nobre é engenheiro eletrônico formado pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e doutor em meteorologia pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). Desde 1983, quando iniciou carreira no Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), dedica-se ao estudo dos ecossistemas amazônicos.
Foi Nobre quem formulou a hipótese da savanização — a ideia de que o desmatamento sistemático pode transformar partes da floresta tropical em savana, com consequências irreversíveis para o clima global. A teoria tornou-se uma das referências centrais no debate científico sobre os limites da Amazônia.
A indicação ao Vaticano é o segundo grande reconhecimento internacional recebido por Nobre em anos recentes. Em 2022, ele foi eleito membro da Royal Society, a mais antiga academia científica do mundo — tornando-se o primeiro brasileiro a conquistar o título desde o século 19.
A trajetória de Nobre conecta ciência climática e política global em um momento em que a Amazônia está no centro das negociações sobre a crise ambiental. Sua presença no conselho pontifício sinaliza que o Vaticano busca incorporar vozes científicas ao debate sobre desenvolvimento e sustentabilidade.
