O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, usou o evento de aniversário da corporação nesta segunda-feira (30) para responder às críticas que investigadores têm enfrentado: chamou de “ataques covardes e vis” as pressões sobre agentes que conduzem inquéritos sensíveis.
Em discurso, Rodrigues afirmou que a PF não tem espaço para direcionamentos ideológicos e que o rigor técnico das apurações é justamente o que gera reações adversas. “A quem interessa uma polícia federal forte? Certamente não a quem compactua com o crime”, disse.
Rodrigues não identificou os alvos de suas críticas durante o pronunciamento, mas deixou claro que a corporação tem sido acusada tanto pelo que faz quanto por ações que não praticou — uma referência implícita ao ambiente de desinformação em torno de investigações em curso.
O caso mais citado foi a fraude bilionária no sistema financeiro envolvendo o Banco Master. O diretor elogiou a cooperação com o Banco Central e destacou o papel do presidente da autoridade monetária, Gabriel Galípolo, como exemplo de articulação técnica entre órgãos públicos.
“A articulação entre órgãos públicos sob os pilares da legalidade é o que permite resultados consistentes no combate ao crime organizado e à corrupção”, afirmou o diretor-geral.
O posicionamento desta segunda reforça uma linha adotada por Rodrigues nas últimas semanas. Pouco mais de dez dias antes, ele já havia garantido que a corporação não seria intimidada e investigaria o Banco Master até o fim, em meio a ataques nas redes sociais contra agentes do caso.
Evasão de servidores e pauta salarial
Além do front político, Rodrigues trouxe à tona um problema estrutural: a PF perdeu mais de 300 servidores — entre policiais e administrativos — para outras carreiras nos últimos três anos.
Para conter o movimento, o diretor defendeu o reconhecimento formal das carreiras policiais e informou que o governo federal abriu canais de diálogo com a categoria. Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve receber representantes dos servidores ainda nesta segunda-feira para tratar das demandas.
A autonomia reivindicada por Rodrigues no discurso tem respaldo institucional recente: ficou claro semanas atrás que a PF pode conduzir a delação premiada de Daniel Vorcaro sem a participação da PGR, com o aval do ministro André Mendonça no STF — o que reforça a independência operacional da corporação frente a pressões externas.
