Política

Brasil bloqueia acordo na OMC e moratória do e-commerce expira

Impasse em Yaoundé expõe racha entre países ricos e emergentes sobre tributação de produtos digitais
Lula representando Brasil na tensão diplomática sobre moratória comércio eletrônico OMC Brasil

As negociações ministeriais da Organização Mundial do Comércio (OMC) encerraram em impasse na madrugada desta segunda-feira (30), após o Brasil barrar a extensão da moratória que impedia países de tributar transmissões eletrônicas.

Com o prazo vencido, governos passam a ter liberdade legal para cobrar tarifas sobre produtos digitais — como downloads e streaming. A diretora-geral da OMC, Ngozi Okonjo-Iweala, disse que a organização ainda espera restabelecer a medida e que Brasil e Estados Unidos continuam tentando chegar a um entendimento.

Propostas e contraproposta que não avançaram

As divergências giraram em torno do prazo de renovação da moratória. O Brasil defendia, como nas conferências anteriores, uma prorrogação de dois anos. Os Estados Unidos queriam uma extensão permanente — posição que diplomatas brasileiros resumiram como querer “o céu”.

Para tentar superar o impasse, negociadores elaboraram uma proposta intermediária: quatro anos de extensão com um ano adicional de transição, válida até 2031. O Brasil então apresentou uma variante com cláusula de revisão intermediária, mas a ideia não obteve apoio suficiente, segundo diplomatas ouvidos pela Reuters.

Países em desenvolvimento que se opuseram a uma renovação mais longa argumentaram que a moratória representa perda de receita tributária que poderia ser reinvestida internamente — um argumento que deu sustentação à posição brasileira, mas que isolou o país na reta final das negociações.

Apesar do impasse sobre o comércio eletrônico, a reunião em Yaoundé, Camarões, avançou na elaboração de um plano mais amplo de reforma da organização — embora nenhum acordo tenha sido concluído. As negociações seguem para Genebra, com encontros previstos para maio, segundo o presidente da conferência, o ministro do Comércio de Camarões, Luc Magloire Mbarga Atangana.

Pressão americana e críticas ao Brasil

O tom das negociações ficou tenso. Uma autoridade dos Estados Unidos afirmou que o Brasil se opôs a um “documento quase consensual” e resumiu o quadro de forma dura: “Não são os EUA contra o Brasil. São Brasil e Turquia contra 164 membros.”

O representante comercial americano, Jamieson Greer, indicado pelo governo Trump, também deixou delegados desconfortáveis ao sugerir que “haveria consequências” caso os EUA não obtivessem uma extensão de longo prazo — linguagem vista como ameaça velada no ambiente diplomático multilateral.

Do lado europeu, o secretário de Negócios e Comércio do Reino Unido, Peter Kyle, classificou a falta de decisão coletiva em Yaoundé como um “grande retrocesso para o comércio global”.

O resultado em Camarões é mais um sinal da crise de relevância que a OMC enfrenta. As negociações eram vistas como um teste para a organização após um ano de turbulência no comércio internacional. O fracasso em renovar sequer uma moratória técnica — existente há décadas — expõe a dificuldade crescente de coordenação multilateral num cenário de protecionismo em alta.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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