Os mercados financeiros da Ásia abriram a semana de 30 de março em queda generalizada, pressionados pela disparada do petróleo e pela incerteza sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã. O Nikkei 225, índice japonês de referência, recuou 4,5%, enquanto a Coreia do Sul viu o Kospi despencar 3,2%.
O movimento replica o cenário de Wall Street, que encerrou a quinta semana consecutiva de perdas na última sexta-feira — a sequência mais longa em quase quatro anos —, com o S&P 500 acumulando queda de 8,7% desde sua máxima histórica de janeiro.
O barril de petróleo WTI, referência americana, chegou a US$ 101,92 na sessão — alta de US$ 2,28. O Brent, padrão internacional, saltou para US$ 115,45, acréscimo de US$ 2,88. O contraste com o cenário pré-guerra é agudo: antes do conflito com o Irã, o barril Brent era cotado em torno de US$ 70.
A preocupação central dos mercados asiáticos gira em torno do acesso ao Estreito de Ormuz, corredor estratégico pelo qual a região importa grande parte de seu petróleo. A eventual restrição dessa passagem pode ampliar o desequilíbrio no abastecimento e agravar a pressão inflacionária já sentida globalmente.
Na Ásia, além do tombo do Nikkei 225 japonês (50.979 pontos), o Kospi sul-coreano recuou 3,2% para 5.264 pontos. O Hang Seng de Hong Kong perdeu 1,7%, enquanto o Composto de Xangai cedeu 0,7%. A queda mais moderada veio da Austrália, com o S&P/ASX 200 recuando 1,2% para 8.417 pontos.
Quando o conflito eclodiu, o Brent chegou perto de US$ 120 em um único pregão e as bolsas asiáticas tombaram até 6% — o ponto de partida da escalada que ainda pressiona os mercados globais.
Trump estende prazo e petróleo volta a subir
Os preços do petróleo recuaram brevemente após o presidente Donald Trump estender até 6 de abril o prazo autoimposto para “extinguir” as usinas de energia iranianas. Uma pausa de cinco dias anunciada por Trump derrubou o Brent abaixo de US$ 100 momentaneamente — mas o alívio durou pouco: com o novo prazo no horizonte, os preços voltaram a escalar.
“Embora não esperemos que o conflito seja prolongado, antecipamos uma volatilidade acentuada no curto prazo”, disse Xavier Lee, analista sênior de ações da Morningstar Research. Os investidores já trabalham com o cenário de uma guerra prolongada, o que, na avaliação dos mercados, deve desencadear inflação global e eventualmente frear o crescimento econômico da Ásia.
Em Nova York, o S&P 500 fechou em queda de 1,7% na sexta-feira, encerrando em 6.368,85 pontos. O Dow Jones perdeu 793 pontos e acumula recuo superior a 10% desde o recorde do mês anterior. O Nasdaq afundou 2,1%, puxado por gigantes como Amazon e Nvidia. No mercado de títulos, o rendimento do Tesouro americano de 10 anos chegou a 4,48% antes de recuar para 4,43% — contra os 3,97% registrados antes do início da guerra.
Em meados de março, o petróleo já acumulava nova alta de quase 6% após o breve recuo provocado por declarações de Trump sobre um possível fim do conflito — padrão que agora se repete com o prazo de 6 de abril no horizonte.
