A Refinaria de Paulínia (Replan), maior unidade da Petrobras, elevou em 24,8% a produção de diesel em fevereiro — de 782,2 para 976,5 milhões de litros —, segundo dados da ANP. O crescimento foi registrado antes do início da guerra no Oriente Médio, em 28 de fevereiro.
O recorde de produção, porém, não segurou os preços. Desde que Estados Unidos e Israel atacaram o Irã, o litro do diesel acumula alta de quase 24% nos postos, passando de R$ 6,03 para R$ 7,45 em média — elevação registrada em menos de um mês.
Nova unidade turbinou a produção
O salto na produção da Replan tem explicação técnica. Em maio de 2025, a refinaria colocou em operação a nova Unidade de Hidrotratamento de Diesel (HDT-D), com capacidade para produzir 63 mil barris de diesel S-10 por dia — o equivalente a 10 milhões de litros diários, suficientes para abastecer 20 mil ônibus com tanque de 500 litros.
Com capacidade total para processar 69 milhões de litros de petróleo por dia (434 mil barris), a Replan abastece 30% do território nacional. A segunda maior refinaria do país é a Revap, em São José dos Campos (SP), com 40 milhões de litros diários de capacidade — bem abaixo da líder paulista.
Além do diesel, principal produto da planta, a refinaria produz gasolina, querosene de aviação (QAV), gás liquefeito de petróleo (GLP), óleos combustíveis, asfaltos, enxofre, propeno e outros derivados usados em setores como cosméticos e fabricação de pneus.
Os dados da ANP mostram ainda que o litro do diesel saltou de R$ 6,03 para R$ 7,45 desde o início do conflito — alta de 23,55% em menos de um mês, reforçando que o volume maior produção interna não segurou os preços nas bombas.
Produção recorde não evitou a crise nos postos
Para tentar conter o repasse da alta do petróleo ao consumidor, o governo federal zerou o PIS/Cofins sobre o diesel e criou um subsídio de até R$ 10 bilhões. A intervenção, no entanto, limitou o impacto líquido do reajuste da Petrobras a apenas R$ 0,06 por litro — insuficiente para barrar a escalada de preços sentida pelos motoristas e pelo setor de transporte.
A Petrobras foi procurada para comentar os dados de produção e informar se a Replan já opera no limite de sua capacidade instalada. A empresa não havia se manifestado até a publicação desta reportagem.
