O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, formalizou pedido de empréstimo de R$ 4 bilhões ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para recapitalizar o BRB.
A solicitação é resposta direta à crise financeira herdada com a absorção de ativos do Banco Master, que expôs o banco público distrital a um rombo estimado em ao menos R$ 5 bilhões pelo Banco Central.
Para garantir a operação, o GDF oferece nove imóveis públicos como colateral junto ao fundo.
Da emissão de ações ao pedido emergencial
O pedido ao FGC surge depois que o BRB foi forçado a cancelar a assembleia que aprovaria a emissão de R$ 8,86 bilhões em novas ações — operação inviabilizada pela instabilidade judicial em torno da lei dos imóveis públicos.
A proposta havia sido aprovada pelo conselho do BRB em março como estratégia para sanear o rombo herdado do Banco Master. Com o caminho bloqueado pela via societária, o governo distrital buscou alternativa direta junto ao FGC para viabilizar a capitalização necessária para cobrir o passivo do caso Master.
O empréstimo de R$ 4 bilhões representa, portanto, uma solução emergencial enquanto o cenário jurídico em torno da emissão de ações permanece indefinido. O GDF, como acionista controlador do BRB, assumiu protagonismo na operação ao oferecer imóveis públicos como garantia real ao fundo.
Quatro vulnerabilidades e risco regulatório
O pedido de R$ 4 bilhões ao FGC é resposta direta às quatro vulnerabilidades simultâneas que o BRB herdou do Banco Master — entre elas o risco de descumprir os limites prudenciais do Banco Central, que estima um rombo de ao menos R$ 5 bilhões.
O descumprimento do Índice de Basileia é o risco mais imediato: o indicador mede a solidez financeira de instituições bancárias, e ficar abaixo dos limites estabelecidos pelo regulador pode levar à intervenção direta na gestão do banco.
O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, está em processo de liquidação após a Operação Compliance Zero expor fraudes que geraram o passivo transferido ao BRB. A crise tornou-se um dos maiores testes para a gestão de um banco público estadual no Brasil nos últimos anos.
