O feijão carioca encareceu quase 20% nos últimos 12 meses e chegou ao maior preço pago ao produtor desde o início da série histórica do indicador. Os dados do IPCA-15, divulgados na quinta-feira (26), apontam alta acumulada de 19,69% — e o alívio para o bolso do consumidor ainda deve esperar.
A combinação de safra reduzida, estoques no piso de uma década e queda no plantio explica a pressão sobre o produto. A expectativa de melhora só aparece entre julho e setembro, com a colheita irrigada.
Safra mínima e estoque no limite
A produção atual de feijão carioca é a menor em quatro anos, com 2,92 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Somando estoques iniciais e importações, a oferta total está no menor nível em uma década: cerca de 3,07 milhões de toneladas.
Com consumo interno previsto em 2,7 milhões de toneladas e exportações estimadas em 214,3 mil toneladas pelo Cepea, o estoque final do ciclo deve ficar equivalente a apenas 6% do consumo — um nível crítico para a estabilidade de preços.
No preço pago ao produtor, a alta chegou a 29,3% entre janeiro e fevereiro de 2026, o maior valor registrado desde que o indicador do Cepea, em parceria com a CNA, passou a ser calculado, em setembro de 2024.
Por que a produção recuou
As chuvas durante a colheita em Minas Gerais e Goiás comprometeram a qualidade dos lotes e reduziram a disponibilidade de grãos de melhor padrão. No Sul do país, o clima também limitou a produção na temporada.
Outro fator é o desestímulo do produtor. Em 2025, os preços baixos não remuneraram adequadamente o agricultor, que reduziu a área plantada. “O produtor ficou desestimulado”, resume Marcelo Lüders, presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe).
Em fevereiro, o feijão carioca já havia subido em 26 das 27 capitais pesquisadas — com altas de até 22% em Campo Grande e 18,6% em Belém —, antecipando a pressão que se confirmou nos dados do IPCA-15 de março.
Quando os preços devem cair
Segundo Lüders, a perspectiva de alívio está no segundo semestre. Entre julho e setembro ocorre a colheita do feijão carioca irrigado, principal fonte de abastecimento do produto. Com mais oferta no mercado, a tendência é de recuo nos preços.
Até lá, o presidente do Ibrafe sugere que o consumidor opte por outros tipos de feijão, que ainda estão mais baratos que o carioca.
O encarecimento do grão ocorre em um contexto de alta generalizada de alimentos. O IPCA-15 de março mostrou pressão em vários itens da cesta básica, com o feijão figurando entre os maiores destaques negativos do período.
