O litro do diesel chegou a R$ 7,45 nos postos de combustíveis brasileiros, alta de 2,62% em relação à semana anterior, segundo levantamento divulgado nesta sexta-feira (27) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O aumento semanal é menor do que os registrados nas semanas anteriores, mas o acumulado desde o início da guerra no Oriente Médio é expressivo: 23,55% desde a semana de 28 de fevereiro — reflexo direto da disparada do barril de petróleo, que saltou de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112.
Alta expressiva em menos de um mês
O barril de petróleo, principal insumo na produção de combustíveis, subiu 86,67% desde o início do conflito, passando de cerca de US$ 60 para mais de US$ 112. A velocidade do choque de oferta forçou distribuidoras e postos a ajustar preços de forma acelerada, mesmo sem reajustes oficiais da Petrobras nas refinarias.
Esse movimento atípico chamou a atenção de sindicatos do setor, que registraram aumentos em várias regiões do país antes de qualquer mudança nos valores praticados pela Petrobras nas refinarias. O caso foi parar no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), que abriu investigação para apurar possível abuso na cadeia de distribuição.
O ciclo de altas começou no início de março, quando distribuidoras privadas já repassavam aumentos aos postos antes de qualquer reajuste oficial — movimento que despertou suspeitas de oportunismo e culminou na investigação do Cade.
Governo anuncia pacote para conter efeitos
O governo brasileiro apresentou um conjunto de medidas para tentar reduzir o impacto da disparada do petróleo sobre a inflação e evitar o risco de desabastecimento de diesel no país. A escalada de preços já havia levado o Cade a agir e o governo federal a estruturar isenções e subsídios — ações que, mesmo assim, não seguraram as bombas nos patamares anteriores ao conflito. Os detalhes do pacote estão em Diesel a R$ 7,30 e gasolina em alta: governo cerca postos por abuso.
O efeito cascata do diesel caro
O diesel é o principal combustível do transporte de cargas no Brasil. Quando o preço sobe nos postos, o custo do frete tende a acompanhar — e o repasse percorre toda a cadeia produtiva até chegar ao consumidor final, pressionando o preço de alimentos e bens de consumo.
Na semana de 19 de março, quando o barril ultrapassou US$ 115 e o diesel saltou mais de 11% em sete dias, economistas já alertavam que a pressão inflacionária levaria cerca de um mês para aparecer nos índices. O impacto no bolso do brasileiro ainda está sendo absorvido pela economia.
Como denunciar preço abusivo
Consumidores que suspeitarem de valores abusivos podem registrar denúncias à ANP ou ao Procon. Segundo Luiz Orsatti, diretor executivo do Procon-SP, não há percentual fixo para definir abuso: cada caso é avaliado individualmente, considerando o preço na bomba e a nota fiscal de compra do combustível.
Orsatti orienta que a comunicação do posto deve ser clara e não pode levar o cliente a interpretações equivocadas. O consumidor tem o direito de questionar e denunciar sempre que suspeitar de cobrança indevida.
