A ariranha (Pteronura brasiliensis), maior lontra do mundo, foi incluída nesta semana na lista da ONU de animais migratórios ameaçados de extinção. A decisão saiu por unanimidade durante a COP15, em Campo Grande (MS), com delegações de mais de 130 países.
Com a inclusão, os países onde a espécie ainda existe serão incentivados a criar planos conjuntos de proteção — medida urgente para um animal que já perdeu 40% de sua área original de ocorrência e foi extinto no Uruguai.
A ariranha é a maior entre as 14 espécies de lontras existentes no mundo e vive exclusivamente na América do Sul. Originalmente presente em 11 países — da Venezuela ao Uruguai —, enfrenta hoje risco crítico na Argentina, no Paraguai e no Equador. No Brasil, as maiores populações remanescentes estão concentradas no Pantanal e na Amazônia.
A proposta de inclusão foi apresentada pelo governo da França em outubro de 2025, diante do declínio contínuo das populações e da destruição do habitat da espécie.
O que muda com a inclusão
A Convenção sobre Espécies Migratórias organiza os animais em dois anexos. O Anexo I reúne espécies em situação crítica; o Anexo II contempla aquelas que exigem cooperação constante entre países, mesmo sem atingir o nível mais grave de ameaça.
Na prática, a inclusão abre caminho para que especialistas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) se reúnam com representantes dos países que ainda abrigam a espécie e elaborem um plano coordenado de ações de proteção.
A escolha de Campo Grande como sede da COP15 não foi por acaso: a capital sul-mato-grossense é porta de entrada para o Pantanal, bioma com mais de 180 espécies migratórias — o mesmo que concentra as maiores colônias de ariranhas que ainda restam no mundo. Saiba mais sobre o que está em jogo para o Pantanal na COP15.
O Brasil ocupa posição central no esforço de recuperação da ariranha. Além de abrigar as maiores populações da espécie no Pantanal e na Amazônia, o país sinalizou compromisso com a conservação logo na abertura da conferência: o presidente Lula assinou decreto ampliando o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense. Leia mais sobre o decreto assinado por Lula na abertura da COP15.
Outras espécies em pauta
A ariranha não foi o único animal a ganhar atenção na conferência. Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai apresentaram proposta conjunta para incluir o pintado nas listas internacionais de conservação, pelo mesmo mecanismo do Anexo II. Confira a proposta de proteção para o pintado na COP15.
A COP15 reúne delegações de mais de 130 países para discutir acordos de proteção a animais que atravessam fronteiras, como aves, mamíferos e peixes. As decisões aprovadas no evento definem estratégias globais para preservar espécies ameaçadas e evitar novos casos de extinção.
