Política

STF retoma julgamento dos penduricalhos com quatro ministros relatores

Plenário ouve sustentações de associações antes de decidir sobre verbas indenizatórias acima do teto
Fachada do STF ao entardecer com ministros Edson Fachin e Flávio Dino em julgamento dos penduricalhos STF 2026

O Supremo Tribunal Federal retomou nesta quarta-feira (25) o julgamento das ações que tratam dos chamados penduricalhos — verbas indenizatórias recebidas acima do teto constitucional por juízes, promotores e outros servidores públicos.

Quatro ministros atuam como relatores nos processos: Flávio Dino, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Cristiano Zanin. A sessão desta quarta concentrou-se nas sustentações orais de representantes de associações de magistrados e procuradores antes da retomada da votação.

A sessão foi presidida por Edson Fachin, que uniformizou em 45 dias o prazo para que os Poderes tomem providências quanto às parcelas indenizatórias — contados a partir de 23 de fevereiro, data da decisão individual do decano.

O julgamento foi aberto pelo relator Flávio Dino, que contextualizou o debate antes de apresentar o relatório. “Sinto-me na obrigação de dizer que homenageio profundamente o serviço público brasileiro. É um debate que visa à valorização e o respeito do serviço público com o cumprimento da Constituição e das leis”, afirmou o ministro.

Na sequência, Gilmar Mendes apresentou o relatório da ação em que decidiu que o Judiciário e o Ministério Público só podem pagar penduricalhos previstos em lei federal. Reconheceu que a questão se tornou complexa ao longo do tempo e citou a responsabilidade do CNJ e do CNMP no processo de regulamentação.

Sustentações orais e participação do PGR

Representantes de diversas entidades fizeram sustentações orais: a Associação de Magistrados Brasileiros (AMB), a Associação Nacional de Procuradores do Trabalho, a Associação Nacional de Magistrados Aposentados e o Sindicato dos Magistrados do Brasil, entre outras. O procurador-geral da República, Paulo Gonet, também apresentou suas considerações ao colegiado.

Os processos têm repercussão geral reconhecida — mecanismo que permite ao STF aplicar seu entendimento a casos semelhantes em instâncias inferiores. Após as considerações do PGR, a sessão foi suspensa para retomada no dia seguinte.

O debate sobre a limitação da remuneração de agentes públicos no Brasil já dura mais de 60 anos: as primeiras menções legais a uma restrição aos ganhos do funcionalismo datam dos anos 1960, quando o termo “marajás” ganhou notoriedade para descrever servidores com salários considerados excessivos.

As decisões individuais de Flávio Dino e Gilmar Mendes permanecem em vigor até o julgamento definitivo pelo plenário. Dino destacou que, “lamentavelmente”, novos atos continuam sendo editados mesmo após a proibição de aplicação de leis novas sobre parcelas que ultrapassem o teto — sinal de que o cumprimento das ordens ainda enfrenta resistência.

O caso do MP-RJ ilustra essa tensão: em março, Gilmar Mendes já havia determinado que o MP-RJ prestasse esclarecimentos em 72 horas sobre o descumprimento das ordens que proibiam o pagamento das verbas — um precedente que ganhou novo peso com a retomada do julgamento plenário nesta quarta.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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