O secretário-geral da ONU, António Guterres, declarou nesta quarta-feira (25) que a guerra no Oriente Médio saiu do controle e segue em direção a um conflito ainda maior e mais espalhado pela região.
Em pronunciamento a jornalistas, Guterres enviou recados diretos a cada parte beligerante: pediu que EUA e Israel encerrem as hostilidades, que o Irã pare de atacar seus vizinhos e que o Hezbollah cesse os ataques contra território israelense.
O alerta de Guterres foi feito no contexto dos ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciados no final de fevereiro. “Eu já havia alertado que os combates representavam o risco de desencadear uma reação em cadeia que ninguém conseguiria controlar”, disse o secretário-geral.
Para Washington e Tel Aviv, o recado foi sem rodeios: “Já passou da hora de acabar com a guerra — o sofrimento humano se aprofunda, as baixas civis aumentam e o impacto econômico global se torna cada vez mais grave.”
Guterres também exigiu que Israel encerre suas operações militares no Líbano, que segundo ele atingem os civis com crescente intensidade. Paralelamente, cobrou do Hezbollah o fim dos lançamentos de ataques contra Israel.
O impacto econômico global citado por Guterres já havia sido antecipado pelo FMI, que alertou no início do mês que a guerra colocava a economia mundial sob pressão crescente, com o preço do petróleo subindo ao maior nível desde 2024. O FMI detalhou os riscos para a economia global em análise publicada pelo Tropiquim.
Diplomata francês é nomeado enviado especial da ONU
No mesmo pronunciamento, Guterres anunciou a nomeação do veterano diplomata francês Jean Arnault como seu enviado pessoal para o conflito no Oriente Médio.
Arnault acumula mais de 30 anos de experiência em diplomacia internacional, com foco em acordos de paz e mediação. Já atuou em missões da ONU na África, Ásia, Europa e América Latina. Sua última designação foi em 2021, quando atuou como enviado pessoal de Guterres para o Afeganistão e questões regionais.
O temor de um conflito mais amplo sinalizado por Guterres já circulava em círculos diplomáticos americanos. Um ex-diplomata da era Trump alertou que, quanto mais a guerra se prolongar, maior a chance de o Irã acionar o Hezbollah e outros grupos aliados para ações além das fronteiras do Oriente Médio. O Tropiquim repercutiu esse alerta com detalhes sobre os grupos que o Irã poderia mobilizar.
