Um estudo da Universidade de Tecnologia de Chalmers, na Suécia, concluiu que a produção de carne bovina é responsável por 40% de todo o desmatamento causado pelo agronegócio no mundo.
O Brasil lidera o ranking nacional com 32% da devastação florestal global no período analisado — de 2001 a 2022 —, mais do que o triplo da segunda colocada, a Indonésia.
A pesquisa, divulgada nesta terça-feira, analisou 184 commodities agrícolas em 179 países e é apontada pelos autores como a mais abrangente sobre o tema já realizada.
As commodities que mais desmatam
Após a carne bovina, que lidera com folga, o óleo de palma aparece como segundo maior causador de desmatamento agrícola, com 9% do total global. A soja vem em seguida, com 5%, e depois milho e arroz empatados com 4% cada, mandioca com 3%, cacau com 2%, e café e borracha com 1% cada.
Os pesquisadores destacam um dado que escapa ao debate sobre exportações: culturas básicas como milho, arroz e mandioca somadas respondem por 11% do desmatamento agrícola — mais do que cacau, café e borracha juntos. O impacto dessas culturas, porém, está disperso pelo mundo, sem concentração em regiões específicas.
No período estudado, 121 milhões de hectares de floresta foram eliminados pela expansão agrícola, gerando emissões de 41,2 gigatoneladas de CO₂ equivalente.
Brasil: quase um terço da destruição mundial
Nenhum país contribuiu tanto quanto o Brasil para o desmatamento global entre 2001 e 2022. A fatia de 32% supera em mais de três vezes a da Indonésia (9%), seguida por China e República Democrática do Congo (6% cada), Estados Unidos (5%) e Costa do Marfim (3%).
O dado ganha ainda mais peso diante do recorde histórico de abate bovino registrado pelo Brasil em 2025 — 42,94 milhões de cabeças pelo segundo ano consecutivo, o que ajuda a explicar por que o país responde sozinho por quase um terço do desmatamento agrícola global no período analisado.
Martin Persson, um dos pesquisadores responsáveis pelo projeto, alerta que o problema não se resolve apenas com regulação do comércio internacional. Para ele, é necessário agir também dentro dos próprios países produtores, onde os mercados domésticos de alimentos geram perdas florestais expressivas — muitas vezes invisíveis nas negociações globais.
Apesar da escala da destruição, o estudo aponta que o desmatamento causado pela agricultura representa apenas cerca de 5% do total de emissões globais de CO₂. O número é baixo em termos relativos, mas as consequências são irreversíveis para ecossistemas e biodiversidade — especialmente em biomas como a Amazônia.
A equipe de Chalmers planeja expandir o modelo para incluir os setores de mineração e energia, o que deve ampliar o diagnóstico sobre impactos ambientais da atividade econômica em escala global.
