O ex-presidente Jair Bolsonaro vai retornar ao uso de tornozeleira eletrônica por 90 dias, conforme determinado pelo ministro do STF Alexandre de Moraes ao autorizar a prisão domiciliar do político na terça-feira (24).
O dispositivo terá área de inclusão limitada ao condomínio Solar de Brasília, único endereço em que o monitoramento será considerado válido.
Bolsonaro já havia utilizado tornozeleira eletrônica anteriormente — o dispositivo foi colocado pela primeira vez em 18 de julho de 2025, também por ordem do ministro Moraes.
O período anterior de uso foi marcado por um incidente em novembro: o equipamento precisou ser trocado após uma tentativa de dano à carcaça. Investigadores relataram indícios de uso de material de soldagem para forçar o dispositivo. Bolsonaro inicialmente alegou ter batido a tornozeleira em uma escada, mas depois admitiu ter usado ferro quente para danificá-la.
A volta da tornozeleira integra um pacote mais amplo de restrições imposto por Moraes: além do monitoramento eletrônico, Bolsonaro está proibido de usar celular e tem o número de visitantes limitado durante os 90 dias, conforme detalhado na decisão que define as demais condições da prisão domiciliar.
DF registra crescimento de monitorados
A Secretaria de Estado de Administração Penitenciária do DF (Seape-DF) monitora atualmente 1.735 pessoas com tornozeleiras eletrônicas. Em julho de 2025, quando Bolsonaro recebeu o dispositivo pela primeira vez, eram 1.514 monitorados — alta de 14,6% em menos de um ano, com acréscimo de 221 pessoas.
Como funciona o monitoramento eletrônico no DF
O equipamento pesa 128 gramas e conta com GPS e modem para transmissão de dados via sinal de celular. É à prova d’água e opera 24 horas por dia — o monitorado pode e deve tomar banho e dormir com o dispositivo.
A recarga da bateria é responsabilidade do próprio monitorado: manter o equipamento descarregado pode ser enquadrado como infração. As regras de uso e as diretrizes específicas são definidas pelo juiz responsável pelo caso, segundo a Seape.
No Distrito Federal, os dados captados pelos dispositivos são enviados ao Centro Integrado de Monitoração Eletrônica (Cime), localizado na Asa Norte e em operação desde 2017. O Cime também é responsável pela instalação e retirada das tornozeleiras.
Em caso de tentativa de burlar o sistema — como o corte da cinta do dispositivo —, um alarme é imediatamente disparado.
