Seis estados brasileiros não cumpriram suas metas individuais de alfabetização em 2025, mesmo com o país superando o índice nacional fixado para o ano.
Os dados são do Indicador Criança Alfabetizada (ICA) 2025, divulgados pelo Ministério da Educação e pelo Inep. Amazonas, Pará, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul e Santa Catarina ficaram abaixo dos objetivos estabelecidos para cada unidade federativa.
O Brasil atingiu 66% de crianças alfabetizadas no 2º ano do ensino fundamental, superando a meta agregada de 64% — um salto expressivo frente aos 59,2% registrados em 2024.
Rio Grande do Sul concentra a maior defasagem
Entre os seis estados que não atingiram suas metas, o Rio Grande do Sul apresenta o quadro mais crítico: apenas 52% de alfabetização contra um objetivo de 69%, uma diferença de 17 pontos percentuais — a maior do país.
Santa Catarina registrou 59% frente a uma meta de 67%, enquanto o Amazonas atingiu 57% com objetivo fixado em 61%. O Rio Grande do Norte ficou com 48%, abaixo da meta de 51%.
No Sudeste, o Rio de Janeiro chegou a 60%, a apenas um ponto percentual de sua meta de 61%. No Norte, o Pará alcançou 58%, ligeiramente abaixo do objetivo de 59%.
19 estados e o DF bateram os índices
Do outro lado, 19 estados e o Distrito Federal alcançaram ou superaram seus objetivos individuais. Três deles já anteciparam a meta nacional prevista para 2030: Ceará (84%), Goiás (80%) e Paraná (80%).
O ICA é calculado a partir de um teste aplicado a estudantes no final do 2º ano do ensino fundamental, com média de 7 anos. A avaliação combina 16 questões de múltipla escolha e três de resposta construída, incluindo uma produção textual. O corte de aprovação é de 743 pontos na escala do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).
Meta nacional é chegar a 80% até 2030
O governo federal mantém como horizonte a alfabetização de 80% das crianças até 2030, por meio do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada — política que articula colaboração entre estados e municípios.
As metas nacionais e estaduais devem crescer de forma progressiva ano a ano até atingir esse patamar. O desempenho de 2025 representa um avanço de quase 7 pontos percentuais em relação ao ano anterior, sinalizando trajetória consistente rumo ao objetivo de longo prazo.
A disparidade entre estados, no entanto, indica que o caminho não será uniforme. Regiões como Norte e Nordeste historicamente concentram desafios de infraestrutura educacional e vulnerabilidade social, fatores que tendem a impactar indicadores de aprendizagem nos anos iniciais. O monitoramento anual do ICA é justamente o mecanismo pelo qual o MEC e o Inep acompanham se cada unidade federativa avança no ritmo necessário para cumprir o compromisso coletivo.
