A OpenAI vai descontinuar o Sora, seu gerador de vídeos por inteligência artificial, e retirar a funcionalidade de criação de vídeos do ChatGPT. A decisão foi anunciada internamente pelo CEO Sam Altman e revelada nesta terça-feira (24) pelo Wall Street Journal.
A versão do Sora voltada para desenvolvedores também será encerrada. Com isso, a empresa consolida uma mudança de rota: a prioridade passa a ser ferramentas de produtividade para empresas e usuários individuais.
Lançado em 2024, o Sora foi apresentado como um dos modelos de IA mais avançados para criação de vídeos realistas a partir de descrições textuais. A ferramenta chamou atenção pelo nível de detalhamento visual e pela capacidade de simular física, luz e movimento com coerência.
Como o Sora gera vídeos
A tecnologia usa uma técnica chamada diffusion — difusão, em português. O processo começa com uma imagem de ruído visual, semelhante ao estático de uma TV fora de sinal, e vai refinando progressivamente os pixels até formar cenas reconhecíveis.
Essa abordagem é parecida com a usada por geradores de imagem, como o DALL-E — também criado pela OpenAI e que serviu de base técnica para o desenvolvimento do Sora.
A descontinuação atinge tanto consumidores finais quanto desenvolvedores que integravam o modelo em seus próprios produtos via API.
Virada estratégica da OpenAI
A decisão de abandonar o Sora reflete uma reorientação mais ampla na OpenAI. A empresa vem concentrando investimentos em soluções corporativas — como o ChatGPT Enterprise — e em assistentes pessoais de produtividade, afastando-se de produtos voltados à geração de mídia sintética.
O recuo também ocorre em um momento de pressão crescente sobre ferramentas de geração de vídeo por IA. Reguladores, plataformas e anunciantes têm questionado os riscos dessas tecnologias para a proliferação de conteúdo sintético não identificado, incluindo vídeos manipulados e deepfakes.
Com o encerramento do Sora, a OpenAI deixa o espaço de geração de vídeo para concorrentes como o Runway, o Kling (da Kuaishou) e o Veo, do Google — todos com produtos ativos e em expansão. A briga pelo segmento segue acirrada, mas a empresa de Sam Altman escolheu não disputá-la por ora.
