A expansão da inteligência artificial está colocando em xeque a capacidade energética dos Estados Unidos. O alerta veio de Ruth Porat, presidente e diretora de investimentos da Alphabet, nesta segunda-feira (23): o país provavelmente não está ampliando a geração de eletricidade com rapidez suficiente para atender à demanda crescente da IA.
Para não depender do ritmo da infraestrutura elétrica americana, o Google está montando uma estratégia própria de energia — que inclui a compra de uma companhia do setor elétrico, investimento em reatores nucleares avançados e acordos de resposta à demanda.
Alphabet vai além do software para garantir energia
A aquisição de uma empresa do setor elétrico chama atenção por ser uma medida incomum para uma companhia de tecnologia. A Alphabet justificou o movimento como necessário para sustentar seus planos de crescimento em inteligência artificial, cujo consumo energético é concentrado nos data centers — grandes instalações de servidores que processam e armazenam dados para serviços digitais e sistemas de IA.
Um dos acordos mais concretos firmados pela empresa é com a NextEra Energy: reativar uma usina nuclear que havia sido desativada no Estado de Iowa. A energia gerada será destinada exclusivamente ao funcionamento dos data centers do Google na região.
Além disso, a Alphabet vem apostando em reatores nucleares avançados — tecnologia de nova geração que promete ser mais segura, modular e rápida de instalar do que as usinas convencionais — e em contratos de resposta à demanda, mecanismo pelo qual grandes consumidores reduzem temporariamente o uso de eletricidade nos horários de pico para aliviar a rede.
A sinalização de Porat indica que o setor privado está agindo mais rápido do que os governos na corrida para garantir o suprimento energético necessário à era da IA. Segundo a executiva, os EUA provavelmente precisarão recorrer a diferentes fontes de energia para dar conta do crescimento da demanda.
Corrida de infraestrutura pressiona o sistema elétrico global
O movimento do Google reflete uma tendência mais ampla entre as grandes empresas de tecnologia. A Meta anunciou planos de investir US$ 600 bilhões em data centers até 2028, ao mesmo tempo em que corta até 20% de sua força de trabalho — evidência de que a corrida por infraestrutura de IA está redesenhando prioridades em todo o setor.
A pressão sobre o sistema energético não é novidade para analistas internacionais. A Agência Internacional de Energia (IEA) já havia sugerido trabalho remoto e redução de voos como formas de conter a alta no consumo elétrico — e a demanda crescente dos data centers promete aprofundar ainda mais o desequilíbrio entre oferta e consumo.
Para o mercado de energia, o cenário abre uma janela de oportunidade considerável: empresas do setor nuclear, de fontes renováveis e de infraestrutura elétrica passam a ser alvos estratégicos de aquisição pelas big techs. O que antes era negócio de utilities está se tornando ativo crítico para a competição em inteligência artificial.
