Meio ambiente

Cinco países propõem proteção internacional para o pintado na COP15

Votação no domingo pode incluir o peixe gigante em tratado que obriga cooperação entre nações
Águas do Pantanal com vegetação aquática: pintado proteção em pauta na COP15 da América do Sul

Cinco países da América do Sul querem colocar o pintado no centro da diplomacia ambiental global. Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai apresentaram proposta conjunta na COP15, em Campo Grande, para incluir o peixe na Convenção sobre Espécies Migratórias.

A votação acontece no domingo (29), na plenária de encerramento do evento. Se aprovada, a medida obriga os países a cooperar na conservação da espécie — sem proibir a pesca.

O pintado é um dos peixes mais emblemáticos dos rios sul-americanos. Topo de cadeia alimentar, ele é frequentemente comparado à onça-pintada nos ecossistemas terrestres — e enfrenta ameaças crescentes de barragens, sobrepesca e mudanças climáticas.

A proposta em debate na COP15 pede a inclusão do animal no Anexo II da Convenção sobre Espécies Migratórias. Diferente do Anexo I — voltado a espécies criticamente ameaçadas, com restrições severas de uso —, o Anexo II reúne animais que precisam de atenção e monitoramento antes de chegar ao colapso.

“Tem um anexo II das espécies que estão com uma situação de preocupação”, explicou Braulio Ferreiro de Sousa Dias, especialista que acompanha as negociações.

Na prática, entrar no Anexo II transforma o pintado em prioridade nos acordos internacionais. Os países signatários ficam obrigados a cooperar e desenvolver planos conjuntos de conservação — sem, no entanto, proibir a pesca da espécie.

O pintado percorre a Bacia do Prata ao longo do seu ciclo de vida, cruzando fronteiras entre Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai e Uruguai. Essa mobilidade faz da cooperação internacional condição indispensável para a sobrevivência da espécie.

Logo na abertura da conferência, o presidente Lula assinou decreto ampliando o Parque Nacional do Pantanal Matogrossense — movimento que sinalizou o peso político do bioma nas negociações e abriu caminho para propostas como a do pintado.

A COP15 foi escolhida como sede em Campo Grande justamente por ser porta de entrada para o Pantanal — berço de espécies migratórias que cruzam fronteiras e dependem de acordos internacionais para sobreviver. O evento reúne mais de 130 delegações e vota seus acordos finais na plenária de encerramento de domingo.

Se aprovada, a inclusão no Anexo II abre caminho para a criação de um plano de ação conjunto entre os cinco países. “O próximo passo é aprovar o plano de ação”, afirmou Braulio Ferreiro de Sousa Dias.

Especialistas reforçam que o pintado é estratégico tanto para o equilíbrio ecológico dos rios quanto para a economia regional — valorizado na pesca esportiva e na alimentação. A pressão sobre a espécie vem de múltiplas frentes: barragens que bloqueiam rotas migratórias, pesca excessiva em certas regiões e os impactos do aquecimento global sobre os ciclos hídricos.

O resultado do voto de domingo pode definir um novo marco para a conservação dos peixes migratórios da América do Sul — e testar o compromisso concreto dos países com a biodiversidade, além das declarações de intenção.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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