Economia

Acordo Mercosul-UE entra em vigor provisoriamente em 1º de maio

Brasil adianta decreto de promulgação enquanto França critica decisão e Tribunal Europeu ameaça atrasar versão definitiva
Lula com bandeiras da UE e Mercosul representando o acordo Mercosul UE vigor provisório

O governo brasileiro confirmou nesta terça-feira (24) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia passará a vigorar provisoriamente a partir de 1º de maio de 2026.

A Comissão Europeia havia antecipado a decisão na véspera. No Brasil, o decreto de promulgação — ato que incorpora o tratado ao ordenamento jurídico nacional — está em estágio avançado de tramitação.

Argentina e Uruguai também concluíram seus processos internos. O Paraguai deve formalizar sua notificação em breve.

Assinado em 17 de janeiro após mais de 25 anos de negociações, o tratado prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas e o estabelecimento de regras comuns para comércio de bens industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.

Para o Brasil, maior economia do bloco sul-americano, o acordo amplia o acesso a um mercado de cerca de 451 milhões de consumidores europeus, com impactos que vão além do agronegócio e alcançam diversos segmentos da indústria nacional.

O Congresso Nacional promulgou o acordo em 17 de março, etapa que abriu caminho para a aplicação provisória confirmada nesta semana. Antes disso, quando o Senado aprovou o texto, em 4 de março, agricultores europeus já acumulavam meses de protestos contra a concorrência sul-americana — tensão que agora se renova com as críticas à vigência provisória.

Apoios e resistências dentro da UE

Alemanha e Espanha apoiam o tratado por enxergarem oportunidades de ampliar exportações, reduzir a dependência da China e garantir acesso a minerais estratégicos da América do Sul.

A França lidera a oposição — com suporte de Polônia, Irlanda e Áustria — alegando risco à agricultura diante da concorrência de produtos sul-americanos mais baratos. A ministra da Agricultura francesa, Annie Genevard, afirmou que adotará medidas unilaterais caso o setor seja prejudicado, citando como exemplo a suspensão de importações de produtos tratados com substâncias proibidas na UE, majoritariamente de origem sul-americana.

O presidente francês, Emmanuel Macron, classificou a decisão europeia de acelerar a aplicação provisória como uma “má surpresa”, reforçando o peso político da resistência de Paris ao acordo.

Mesmo com a vigência provisória prevista para maio, o caminho até a versão definitiva do tratado ainda pode ser longo.

Tribunal Europeu pode atrasar ratificação final

Em janeiro, o Parlamento Europeu enviou o acordo ao Tribunal de Justiça da União Europeia para análise de conformidade com as regras do bloco. A decisão pode atrasar a entrada em vigor oficial por vários meses.

Se a Corte identificar inconsistências, o texto precisará ser revisado, gerando novos atrasos. Caso contrário, o acordo segue para votação final no Parlamento Europeu — última etapa antes da vigência plena.

A aplicação provisória funciona, portanto, como uma solução de transição: permite que o comércio entre os blocos comece a se beneficiar do tratado enquanto os processos jurídicos e políticos correm em paralelo.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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