O dólar abriu em queda de 0,59% nesta segunda-feira (23), negociado a R$ 5,2771, enquanto o petróleo Brent despencou mais de 10% — para US$ 100,71 o barril — após Donald Trump anunciar uma pausa de cinco dias em possíveis ataques a instalações de energia do Irã.
O presidente americano publicou no Truth Social que conversas entre Washington e Teerã ao longo do fim de semana teriam sido “produtivas” e que orientou o Departamento de Guerra a adiar qualquer ofensiva ao setor energético iraniano durante esse período.
O alívio geopolítico empurrou os futuros de Wall Street para cima — S&P 500 e Dow Jones avançavam cerca de 2,6% antes da abertura. Na contramão, bolsas asiáticas encerraram o dia com perdas expressivas.
A publicação de Trump no Truth Social foi o gatilho para a reviravolta nos mercados na manhã desta segunda. Ele afirmou que orientou o Departamento de Guerra a adiar ataques contra usinas de energia e outras estruturas do setor no Irã durante cinco dias, enquanto as negociações prosseguem.
A narrativa americana encontrou contestação imediata em Teerã. A agência Fars, ligada à Guarda Revolucionária, negou que haja qualquer negociação em andamento. As agências Tasnim e Mehr foram além: classificaram as declarações de Trump como pressão política para derrubar os preços do petróleo e do gás, que haviam subido desde o início do conflito. O chanceler iraniano avaliou que o anúncio teria como objetivo pressionar os mercados de energia para baixo.
No domingo, a Guarda Revolucionária ameaçara fechar completamente o Estreito de Ormuz e atacar usinas em Israel e bases americanas no Golfo — resposta direta a Trump, que no sábado disse que poderia “obliterar” instalações energéticas iranianas caso o estreito não fosse reaberto em até 48 horas. O prazo venceria por volta das 19h44 desta segunda-feira, no horário de Brasília. A ameaça de fechamento do Ormuz ressoa num contexto em que aliados dos EUA — Alemanha, Japão e Austrália — já haviam recusado enviar navios de guerra à região, reduzindo a margem de manobra americana.
Brasil: Petrobras e o diesel mais caro
No cenário doméstico, o presidente Lula sinalizou na sexta-feira que a Petrobras pode recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia — a antiga Rlam, vendida no governo anterior. A movimentação ocorre em meio a uma escalada nos preços dos combustíveis.
Levantamento da ANP revelou que o preço do diesel subiu 20,6% na segunda semana de março em relação ao período de 22 a 28 de fevereiro, chegando a R$ 7,65 por litro. Esse avanço é o mais recente capítulo de uma alta que levou Lula a anunciar um pacote anticrise com zeragem do PIS e Cofins sobre o combustível.
Mercados: Wall Street sobe, Ásia afunda
O impacto da fala de Trump foi assimétrico no mundo. Antes da abertura de Wall Street, os futuros do S&P 500 e da Nasdaq subiam 2,45%, enquanto o Dow Jones avançava 2,65%. Na Europa, o DAX alemão subia 1,28% e o CAC 40 francês avançava 0,94%. O FTSE 100 britânico recuava levemente, 0,11%.
Os mercados asiáticos, que já haviam encerrado o pregão, contaram outra história. A bolsa de Xangai caiu 3,63% — pior desempenho desde abril de 2025. O Hang Seng, de Hong Kong, recuou 3,54%, no pior resultado em quase um ano. O Nikkei japonês fechou em queda de 3,48%, e o Kospi sul-coreano despencou 6,49%. Em Taiwan, o Taiex cedeu 2,45%.
A volatilidade desta sessão segue um roteiro já visto nas últimas semanas. Dez dias atrás, quando Trump sinalizou que a guerra estava praticamente concluída, o dólar chegou a R$ 5,17 e o petróleo recuou — o mesmo movimento que os mercados voltaram a repetir nesta segunda-feira.
O Brent chegou a operar abaixo de US$ 100 durante a manhã antes de estabilizar em torno de US$ 100,71, enquanto o WTI recuava para US$ 88 — queda de 10,39% na sessão.
