O primeiro-ministro da China, Li Qiang, prometeu neste domingo (22) ampliar a abertura econômica do país e importar mais bens estrangeiros de alta qualidade — tudo isso sem pronunciar o nome de Donald Trump uma única vez.
Em discurso no Fórum de Desenvolvimento da China, em Pequim, Li atacou o unilateralismo e o protecionismo, afirmando que essas práticas “não são solução para os problemas”. A plateia incluía o CEO da Apple, Tim Cook, e executivos do HSBC, UBS e Standard Chartered.
O discurso acontece em meio a tensões crescentes entre Pequim e Washington. A China atravessa uma guerra comercial com os Estados Unidos após o governo Trump impor tarifas unilaterais a diversos países — medida que Pequim nunca endossou, mas que agora tenta contornar pela via diplomática e pela retórica multilateral.
Os números reforçam por que o tema é sensível: as exportações chinesas cresceram 21,8% nos dois primeiros meses do ano, dado que alimenta as críticas de parceiros comerciais ao elevado superávit da China. Li, no entanto, apresentou o crescimento como argumento a favor — não contra — da abertura.
O contexto é ainda mais delicado quando se considera que menos de duas semanas antes do fórum, Li Qiang havia anunciado a menor meta de crescimento chinesa desde 1991 — reflexo direto das pressões comerciais com Washington que o premiê agora tenta suavizar sem citar o nome de Trump.
A promessa de “abertura de alto nível” foi direcionada estrategicamente a líderes do mundo corporativo global. Ao falar com CEOs de multinacionais, Pequim tenta isolar Trump do restante do empresariado americano e europeu — mostrando que o mundo dos negócios ainda quer estar do lado chinês.
A postura defensiva de Pequim ganha sentido diante do cenário em Washington. O governo Trump abriu investigações contra a China e outros 15 países usando a Seção 301, sinalizando uma nova rodada de tarifas que pode aprofundar ainda mais o conflito bilateral.
Ao evitar citar Trump pelo nome, Li segue uma estratégia deliberada de Pequim: criticar as políticas sem elevar o tom pessoal — mantendo canais abertos enquanto sustenta a narrativa de que a China é o ator responsável no cenário global.
O que está em jogo
Para o mercado, a sinalização de mais importações de produtos estrangeiros pode ser lida como um gesto de boa vontade. Mas analistas observam que o superávit comercial chinês segue em níveis historicamente elevados — o que dificilmente mudará apenas com declarações de fórum.
Vários parceiros comerciais da China já pressionam Pequim há meses para que reduza o desequilíbrio nas trocas comerciais. O discurso de Li oferece palavras conciliatórias, mas ainda sem medidas concretas que respondam a essa demanda.
