A ministra do Planejamento, Simone Tebet, encerrou neste sábado (21) uma relação de quase 30 anos com o MDB ao se filiar ao PSB em São Paulo. A mudança de legenda abre caminho para sua candidatura ao Senado nas eleições de 2026.
Com a filiação, Tebet passa a integrar o mesmo partido do vice-presidente Geraldo Alckmin. A previsão é de que ela deixe o Ministério do Planejamento até o fim de março para cumprir a desincompatibilização eleitoral.
A articulação que resultou na filiação começou antes do fim de janeiro. Em 27 daquele mês, durante viagem presidencial ao Panamá, o presidente Lula fez um pedido informal a Tebet: que ela pensasse em ser candidata pelo Senado em São Paulo. O convite formal veio no dia 3 de fevereiro, depois de ela conversar também com o vice-presidente Alckmin.
Tebet revelou a decisão publicamente no dia 12 de março, durante o Fórum Nacional de Secretários Estaduais de Planejamento, em Campo Grande (MS). A ministra confirmou que a saída do ministério ocorreria até o final do mês, sem data exata definida.
Ao oficializar a filiação, o PSB exaltou o perfil da ministra em nota: "Simone traz consigo uma combinação rara na vida pública brasileira: firmeza moral, experiência institucional, capacidade de dialogar com o Brasil real, coragem cívica e compromisso democrático. Advogada, professora, prefeita reeleita com 76% dos votos, vice-governadora, senadora, candidata à Presidência da República e ministra do Planejamento", diz o comunicado do partido.
Alckmin, que semanas antes já havia listado Tebet entre os possíveis nomes do campo progressista para São Paulo, agora divide a sigla com ela — reforçando o bloco de apoio ao governo Lula no estado mais disputado do país.
Uma pesquisa Datafolha de março já colocava Tebet entre os mais bem posicionados para as vagas paulistas no Senado — à época ainda pelo MDB —, ao lado de Haddad e Alckmin.
Trajetória de quase três décadas no MDB
Nascida em Três Lagoas (MS), Tebet é filha de Ramez Tebet, ex-governador, ex-senador e ex-ministro da Integração Nacional. Ela se filiou ao MDB na década de 1990 e construiu toda a sua carreira política na legenda: foi a primeira mulher eleita prefeita de Três Lagoas, em 2004, reeleita quatro anos depois.
Em 2011, assumiu a vice-governadoria de Mato Grosso do Sul. Três anos depois, elegeu-se senadora pelo estado. No Senado, acumulou protagonismo: foi a primeira mulher a presidir a CCJ, em 2019, e integrou a CPI da Covid em 2021.
Em 2022, concorreu à Presidência pelo MDB como aposta de centro — obteve 4,9 milhões de votos (4,16%) e ficou em terceiro lugar. Após apoiar Lula no segundo turno, foi anunciada como ministra do Planejamento em dezembro daquele ano.
A candidatura ao Senado paulista já enfrenta resistência. A base bolsonarista acionou o argumento do "forasteiro" contra Tebet — o mesmo rebatido por Haddad ao lembrar que o próprio Tarcísio também transferiu domicílio eleitoral antes de 2022.
