O advogado Sérgio Leonardo visitou o banqueiro Daniel Vorcaro pela segunda vez consecutiva na Superintendência Regional da Polícia Federal em Brasília, neste sábado (21). O encontro durou cerca de uma hora — na véspera, a reunião se estendeu por duas horas.
Vorcaro, dono do Banco Master, está preso sob investigação por crimes financeiros, pagamentos irregulares a agentes públicos e pela suposta montagem de uma milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas.
As visitas diárias dos advogados ocorrem em meio a tratativas concretas de uma possível delação premiada. Segundo a colunista Andréia Sadi, do g1, Vorcaro já assinou um termo de confidencialidade com a Procuradoria-Geral da República (PGR) e a PF — passo que abre caminho formal para negociações de acordo.
Troca de advogado e sinal de interesse
O movimento ganhou velocidade após a Segunda Turma do STF decidir, em 13 de março, pela manutenção da prisão do banqueiro. Dias depois, Vorcaro substituiu o advogado que coordenava sua defesa, Pierpaolo Bottini, por José Luís de Oliveira Lima, o Juca — especialista em acordos de delação e que já procurou a PF nesta semana para sinalizar o interesse do cliente em firmar um acordo.
Ontem, o ministro Gilmar Mendes, último da Segunda Turma a se manifestar, acompanhou os colegas e votou pela manutenção da prisão, embora tenha feito ressalvas em seu voto. A decisão foi por unanimidade.
A defesa chegou a pedir ao ministro André Mendonça a transferência de Vorcaro para prisão domiciliar, pedido que foi negado. Mendonça autorizou apenas a mudança da Penitenciária Federal de Brasília — unidade de segurança máxima com restrições ao contato com advogados — para o edifício da própria PF, onde o acesso aos defensores é mais facilitado. A transferência ocorreu na quinta-feira (19).
Cela de passagem e segurança reforçada
Na Superintendência da PF, Vorcaro ocupa uma cela chamada de “passagem” — um espaço pequeno com cama, banheiro e grade. Por causa da chegada do banqueiro, a PF reforçou o efetivo com agentes da polícia penal federal. O espaço aéreo ao redor do prédio foi restrito e o sobrevoo de drones, proibido.
Uma eventual colaboração premiada de Vorcaro poderia trazer novos elementos às investigações sobre fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O caso guarda paralelo com precedentes da operação Lava Jato, quando a transferência de presos que negociavam delação era usada como sinal de boa vontade das autoridades para facilitar as tratativas.
