Fernando Haddad usou sua primeira entrevista coletiva como pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, nesta sexta-feira (20), para inverter um dos argumentos da campanha bolsonarista: quem é realmente o forasteiro no estado?
Ao rebater críticas da base de Tarcísio de Freitas (Republicanos) contra a candidatura de Simone Tebet ao Senado, o petista foi direto: o próprio governador “não tem nenhuma familiaridade até hoje com SP”.
O estopim foi o argumento repetido por aliados de Tarcísio de que Tebet seria forasteira em São Paulo. A ministra do Planejamento construiu carreira no Mato Grosso do Sul e, como o próprio governador, precisará transferir domicílio eleitoral para disputar uma das vagas ao Senado em outubro.
“A Tebet tem muito mais raízes em São Paulo, infinitamente mais [que o Tarcísio]. Duas filhas em SP, vindo há anos para São Paulo. Cada um vai escolher seu caminho”, respondeu o petista.
Tarcísio de Freitas, natural do Rio de Janeiro e com carreira construída no governo federal em Brasília, também transferiu domicílio antes de vencer o governo estadual em 2022 — o que torna o argumento da base bolsonarista um tiro que pode sair pela culatra.
Sacrifício? Haddad descarta a narrativa
O governador tem circulado entre aliados com a versão de que Haddad foi “sacrificado pelo próprio partido” para concorrer ao Palácio dos Bandeirantes e alavancar a campanha de Lula à reeleição. O petista rejeitou a ideia com firmeza.
“Você não vai pegar uma frase minha falando em sacrifício. Uma pessoa que fez a campanha de 2016, de 2018 e de 2022 — você vai colocar em dúvida a disposição de luta dessa pessoa? É uma boa estratégia?”, questionou.
Na noite anterior, o PT formalizou a candidatura no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, com Lula, Alckmin e lideranças nacionais do partido no palco. O presidente foi categórico: “Ele vai ser o futuro governador de São Paulo. Ele já está preparado para isso.”
Vice e alianças: conversas começam nos próximos dias
Haddad anunciou que iniciará diálogos com PSB, Rede Sustentabilidade e PSOL para definir o nome do vice na chapa. A lista de pré-agendados já inclui Márcio França, Caio França, Tabata Amaral, Guilherme Boulos, Érika Hilton e Marina Silva.
“Seria muito inapropriado colocar a carroça na frente dos bois. Eu tinha que estar convencido de que o melhor para o nosso projeto é a candidatura em SP”, justificou. Sobre o perfil ideal do vice, foi pragmático: “É sempre limitado pela realidade concreta do que você tem à mão.” Ele garantiu diversidade na composição: “Não teremos dificuldade em apresentar uma chapa bonita, ampla e que anime as pessoas.”
