Economia

EUA suspendem sanções ao petróleo do Irã para conter barril acima de US$ 100

Washington autoriza 140 milhões de barris iranianos no mercado global como arma econômica contra Teerã
Barris de petróleo e Estreito de Ormuz ilustram suspensão sanções petróleo do Irã

O governo Trump deu um passo incomum nesta sexta-feira (20): suspendeu parcialmente as sanções ao petróleo do Irã para inundar o mercado global com cerca de 140 milhões de barris estocados em navios — e tentar derrubar o preço do barril, que segue acima de US$ 100 desde o início da guerra.

O anúncio foi feito pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, que classificou a medida como “pontual e de curto prazo”. A autorização não permite novas compras nem nova produção iraniana — apenas libera estoques já em trânsito no mar.

Como a medida funciona

Na prática, o petróleo iraniano sancionado que a China vinha acumulando a preços baixos poderá agora ser vendido no mercado internacional. Segundo o Tesouro americano, a liberação deve colocar rapidamente os 140 milhões de barris em circulação, ampliando a oferta global e pressionando os preços para baixo.

A autorização é estritamente limitada: não cobre novas compras nem nova produção e, segundo Washington, o Irã terá dificuldade para acessar as receitas geradas pela venda. A lógica, nas palavras de Bessent, é direta — “usaremos os barris iranianos contra Teerã”.

Horas antes do anúncio formal, Bessent já havia sinalizado a possibilidade ao mercado — e o barril caiu de US$ 119 para cerca de US$ 107 na mesma sexta-feira. Leia mais sobre a reação do mercado às sinalizações dos EUA sobre as sanções ao Irã.

O bloqueio que travou o mundo

O principal fator por trás da disparada é o bloqueio iraniano do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo e um quinto do comércio global de gás natural liquefeito (GNL). O Irã anunciou o fechamento da área e ataques a petroleiros, provocando forte queda no tráfego de navios nos últimos dias.

O bloqueio já havia forçado refinarias asiáticas a declarar força maior. O preço do barril chegou a US$ 120 logo após o início da guerra, em 28 de fevereiro — o maior nível desde 2022. Recuou desde então, mas permanece em patamar bastante elevado. Entenda como a guerra elevou o petróleo e ameaça meses de combustível caro.

A suspensão das sanções é a mais recente de uma série de manobras americanas para conter a crise de abastecimento. Na semana passada, Washington coordenou com a Agência Internacional de Energia a liberação de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de 32 países. Ao todo, o governo Trump afirma ter mobilizado cerca de 440 milhões de barris adicionais para o mercado global. Veja mais sobre a liberação das reservas estratégicas coordenada pelos EUA.

Por trás das manobras econômicas está uma pressão política doméstica bem calculada. As eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro, tornam qualquer alta prolongada nos preços de combustíveis um risco eleitoral direto para o Partido Republicano.

O governo enquadra todas as ações dentro da chamada Operação Epic Fury — a campanha militar e econômica contra o Irã. Para Washington, liberar temporariamente o petróleo iraniano no mercado não é concessão ao regime, mas instrumento de pressão: usar a commodity do adversário contra ele enquanto a ofensiva segue em curso.

A produção americana de petróleo e gás opera, segundo o Tesouro, em níveis recordes — pilar da estratégia de Trump para garantir que qualquer interrupção de curto prazo não comprometa os ganhos econômicos de longo prazo prometidos aos eleitores.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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