O preço médio do diesel no Brasil atingiu R$ 7,22 nesta quarta-feira (19), uma alta de 25% em relação aos R$ 5,74 do final de fevereiro. A disparada ocorre em meio à guerra no Oriente Médio, que provocou o fechamento do Estreito de Ormuz e disparou os preços do petróleo no mercado internacional.
Os dados são da TruckPag, empresa de gestão de frotas que monitora mais de 143 mil transações de compra de diesel em 4.664 postos — 94% em rodovias, onde 81,9% das compras foram feitas por caminhões nos últimos 30 dias.
Estados registram altas expressivas
Na região Norte, o Tocantins viu o litro do diesel subir 37,1%. No Nordeste, o Piauí registrou alta de 28%. O Centro-Oeste teve Goiás como destaque, com 29,2% de aumento. São Paulo liderou no Sudeste com 27%, enquanto Santa Catarina anotou a maior alta no Sul: 29,9%.
Por que o diesel dispara
“Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado direto no mercado internacional. Quando o barril sobe 80% em 20 dias, esse diesel chega mais caro no porto e a distribuidora não tem como absorver. O repasse vai para o posto, e do posto vai para o transportador”, explica o CEO da TruckPag, Fabian Seefeld.
O diesel é um combustível fundamental para a logística da economia brasileira. Quando o preço sobe, o impacto vai dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços.
Nas últimas semanas, o governo federal anunciou diminuição de tributos e um subsídio de R$ 0,32 para o diesel. Diante da disparada de 11% em uma semana, o Palácio do Planalto também montou um pacote de R$ 30 bilhões para tentar frear os preços. Porém, o efeito ainda não é sentido nas bombas dos postos.
Especialistas ouvidos pelo g1 estimam que essa pressão sobre a inflação brasileira pode começar a aparecer em cerca de um mês, a depender da intensidade do conflito e de quanto pode durar o fechamento do Estreito de Ormuz — canal por onde passam 20% do petróleo mundial.
