Economia

China aceita flexibilizar regras fitossanitárias e libera navios de soja brasileira

Critério de tolerância zero é abandonado após negociação com Brasília; limite percentual ainda será definido em negociações bilaterais
Plantação de soja com mapa da China: ilustrando como China flexibiliza regras para soja brasileira

A China concordou em abandonar o critério de tolerância zero para sementes de plantas daninhas em carregamentos de soja importados do Brasil. A decisão, formalizada em documento da Secretaria de Defesa Agropecuária (SDA) divulgado nesta sexta-feira (20), abre caminho para a liberação de cerca de 20 navios brasileiros devolvidos pelo país asiático nas últimas semanas.

Com a mudança, o governo brasileiro passa a emitir certificados de embarque mesmo quando laudos laboratoriais apontarem presença de ervas daninhas — medida que pode desbloquear o fluxo de exportações para o principal comprador de soja do país, responsável por cerca de 80% das vendas externas do grão.

O acordo foi obtido após reunião entre representantes do governo brasileiro e autoridades chinesas. Segundo a SDA, o Brasil argumentou que não é possível atestar a ausência absoluta de sementes de plantas daninhas em soja, dado as características de produção — argumento aceito pelo lado chinês.

Apesar do avanço, o entendimento ainda é parcial: não há um limite numérico oficial para a tolerância de ervas daninhas nas cargas. Esse percentual será discutido em negociações bilaterais futuras. Até lá, a avaliação seguirá critérios de análise de risco e medidas de mitigação conforme o destino do produto.

A crise ganhou visibilidade nas últimas semanas, mas sua origem remonta ao fim de 2025. A situação chegou ao pico no dia 13, quando a China já havia devolvido cargas e a Cargill suspendeu os embarques — cenário que pressionou o governo brasileiro a buscar uma solução diplomática urgente.

Segundo Raphael Bulascoschi, analista do mercado de soja da StoneX Brasil, o problema começou quando o GACC — órgão chinês de fiscalização — alertou o governo sobre excesso de sementes proibidas e materiais estranhos nos carregamentos. O Ministério da Agricultura então intensificou inspeções e suspendeu a emissão de certificados para cargas fora dos padrões. “Sem esse certificado, as empresas ficam impedidas de entregar a carga na China e de receber o pagamento”, explicou o analista.

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, afirmou na terça-feira (17) que a qualidade da soja brasileira “é inquestionável”, mas reconheceu como legítima a preocupação chinesa com contaminantes. Ele propôs ainda a criação de um protocolo sanitário específico para o comércio bilateral do grão — aposta do governo em uma solução estrutural de longo prazo. Representantes do Ministério devem viajar à China na próxima semana para aprofundar as negociações.

O imbróglio começou quando o Ministério da Agricultura adotou um novo sistema de amostragem que gerou discrepâncias nos laudos — impedindo a emissão dos certificados fitossanitários e levando a Cargill a paralisar as operações.

Analistas da Hedgepoint Global Markets avaliam que o episódio é pontual e não deve comprometer o volume total exportado. “Até agora, não há registro de atrasos relevantes na saída de navios, o que indica que se trata de ajustes pontuais no processo de inspeção das cargas”, afirmou Luiz Fernando Gutierrez Roque, coordenador de Inteligência de Mercado de Grãos e Oleaginosas da Hedgepoint. Os 20 navios devolvidos representam entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de toneladas de soja.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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