A Casa Branca confirmou nesta sexta-feira (20) que as Forças Armadas dos Estados Unidos têm capacidade de eliminar a ilha de Kharg — polo responsável por 90% das exportações de petróleo do Irã — assim que Donald Trump der a ordem.
A declaração foi feita pela vice-secretária de imprensa Anna Kelly em nota à AFP, um dia após o secretário Pete Hegseth afirmar que os EUA “controlam o destino do Irã” depois do bombardeio à ilha na semana passada.
A revelação veio após o portal Axios reportar que o governo Trump estaria avaliando planos para ocupar ou bloquear o polo petrolífero, localizado a 25 km da costa iraniana.
A ameaça direta de Washington
Em nota oficial à agência AFP, Anna Kelly foi objetiva: “As Forças Armadas dos Estados Unidos podem eliminar a ilha de Kharg a qualquer momento, se o presidente der a ordem.”
A declaração ecoa o que o próprio Trump disse na quinta-feira: “Podemos eliminar a ilha quando quisermos. Eu a chamo de aquela pequena ilha que está ali, totalmente desprotegida. Eliminamos tudo, exceto os oleodutos. Deixamos os oleodutos porque reconstruí-los levaria anos.”
O Axios cita também uma autoridade do governo americano: “Ele quer o Estreito de Ormuz aberto. Se tiver que tomar a Ilha de Kharg para que isso aconteça, isso vai acontecer. Se decidir por uma invasão costeira, isso vai acontecer. Mas essa decisão ainda não foi tomada.”
Bombardeio como aviso — e como preparação
Na semana passada, os EUA bombardearam Kharg pela primeira vez, poupando a infraestrutura petrolífera — mas Trump deixou claro que novos ataques poderiam atingir os oleodutos caso o Irã mantivesse o bloqueio ao Estreito de Ormuz. Segundo o Axios, o ataque foi um “aviso” para Teerã reabrir o estreito, mas também serviu para reduzir a capacidade militar iraniana no local e abrir caminho para uma eventual operação terrestre.
Até poucos dias atrás, Kharg havia escapado ilesa de mais de 5 mil ataques desde o início do conflito — uma escolha deliberada que envolvia o risco de colapso da economia global de energia. A mudança de postura americana marca uma virada no conflito.
O peso estratégico de Kharg
Localizada a 25 km da costa iraniana, Kharg é o coração das exportações de petróleo iraniano. A tomada ou inativação da ilha pode representar o colapso da economia do Irã por décadas e teria impacto significativo para o mercado global de petróleo.
Para chegar a uma eventual operação terrestre, os EUA precisariam antes destruir uma parcela ainda maior da Marinha iraniana no Golfo Pérsico — fase que, segundo fontes do Axios, poderia levar até um mês para ser concluída.
A ameaça à ilha se encaixa na estratégia mais ampla que Trump anunciou semanas antes: assumir o controle do Estreito de Ormuz para garantir o fluxo de petróleo mundial. O secretário Hegseth reforçou essa narrativa na quinta-feira ao declarar que, após o ataque a Kharg, os EUA agora “controlam o destino do Irã”.
A operação envolveria uma sequência de movimentos militares no Golfo Pérsico — uma escalada com consequências imprevisíveis para os preços do petróleo e para a estabilidade de toda a região.
