O Brasil encerrou a quarta-feira (18) na segunda posição do ranking global de maiores juros reais do mundo — mesmo após o Copom anunciar o primeiro corte da taxa Selic em quase dois anos.
A taxa básica caiu 0,25 ponto percentual, de 15% para 14,75% ao ano, encerrando um ciclo de cinco decisões consecutivas de manutenção.
Com a inflação prevista descontada, o juro real brasileiro ficou em 9,51%, segundo levantamento do MoneYou. A Turquia assumiu o primeiro lugar com 10,38%, e a Rússia ficou em terceiro com 9,41%.
O movimento do Copom encerra uma sequência de cinco reuniões em que a Selic foi mantida estável, mas não foi suficiente para tirar o Brasil do topo do ranking de países com maiores custos reais de crédito no mundo.
A liderança, até então ocupada pela Rússia, passou para a Turquia, que registrou taxa real de 10,38%. Os russos caíram para a terceira posição com 9,41%. A Argentina — que passou por forte choque econômico sob o governo de Javier Milei — permaneceu na quarta colocação.
Incertezas inflacionárias e risco geopolítico
Em relatório divulgado nesta quarta-feira, o MoneYou alertou que o Brasil ainda enfrenta incertezas inflacionárias relevantes, associadas às preocupações com os gastos do governo federal.
O cenário, segundo a instituição, ficou ainda mais nebuloso com os desdobramentos da guerra no Oriente Médio — fator geopolítico que pesa diretamente sobre as expectativas de inflação e sobre o ritmo de afrouxamento monetário no país.
Considerando apenas os juros nominais — sem descontar a inflação —, o Brasil ocupa a quarta posição no ranking de 40 países monitorados pelo levantamento.
O corte anunciado nesta quarta foi mais modesto do que parte do mercado esperava. A guerra no Oriente Médio, que empurrou o barril de petróleo acima de US$ 100, forçou o Copom a adotar postura mais cautelosa — limitando o alívio a 0,25 ponto percentual em vez dos 0,5 pp que analistas mais otimistas antecipavam.
O custo do prolongado ciclo de aperto monetário já se reflete na atividade econômica. O PIB brasileiro cresceu apenas 2,3% em 2025 — o pior resultado desde a pandemia —, reflexo direto do aperto monetário que agora começa, lentamente, a ceder.
Para consumidores e empresas, manter-se entre os países com juros reais mais elevados do mundo significa crédito caro, menor propensão ao investimento e pressão contínua sobre o endividamento das famílias. O início do ciclo de cortes sinaliza um alívio gradual, mas analistas alertam que a taxa permanece em território restritivo por tempo indeterminado.
