Saúde

Índia lança corrida por semaglutida barata após queda de patente

Com até 50 versões genéricas chegando ao mercado indiano, preços podem cair à metade; no Brasil, cenário regulatório adia concorrência real

A patente da semaglutida — princípio ativo do Ozempic e do Wegovy — expira em 20 de março, e a corrida por versões mais baratas do remédio já começou, em dois ritmos bem distintos.

Na Índia, até 50 versões genéricas com marca devem chegar ao mercado nos próximos meses, com previsão de corte de preço superior a 50%: o tratamento mensal pode cair de até R$ 900 para menos de R$ 285.

No Brasil, onde a patente também vence no mesmo dia, gargalos regulatórios e industriais devem adiar o lançamento de versões nacionais para o segundo semestre — e os preços devem cair bem menos do que no cenário indiano.

O banco de investimento Jefferies chamou o vencimento da patente de um possível “momento da pílula mágica” para a Índia, projetando um mercado de semaglutida de até US$ 1 bilhão — cerca de R$ 5 bilhões — dependendo dos preços e da velocidade de adoção.

A comparação histórica reforça o otimismo: quando a patente do medicamento para diabetes sitagliptina expirou em 2022, cerca de 30 versões apareceram em um mês e quase 100 em um ano. Empresas como Cipla, Sun Pharma, Dr. Reddy’s Laboratories, Biocon e Zydus já se preparam para lançar versões da semaglutida.

Atualmente, o Ozempic é vendido na Índia entre R$ 500 e R$ 630 mensais; o Wegovy, entre R$ 560 e R$ 900. A pesquisadora Sheetal Sapale, da Pharmarack, estima que a concorrência dos genéricos possa reduzir esse valor para entre R$ 170 e R$ 285 por mês.

A “farmácia do mundo” de olho no mercado global

A indústria farmacêutica indiana, avaliada em US$ 60 bilhões, foi responsável por reduzir drasticamente o preço dos antirretrovirais contra o HIV — ampliando o acesso ao tratamento em países africanos e em desenvolvimento. Hoje, o país fornece medicamentos para mais de 200 nações, abastecendo metade da demanda africana por genéricos, 40% dos genéricos consumidos nos EUA e um quarto dos medicamentos do Reino Unido.

O potencial de exportação da semaglutida genérica é visto como enorme. Segundo Namit Joshi, presidente do Conselho de Promoção das Exportações Farmacêuticas da Índia, só o mercado americano pode chegar a US$ 10 bilhões em poucos anos. As exportações farmacêuticas indianas já somam US$ 30,46 bilhões, com os EUA como principal destino.

Brasil: aprovações lentas e estratégia da Novo Nordisk

No Brasil, onde a patente da semaglutida também expira em 20 de março, gargalos regulatórios e industriais devem atrasar o lançamento de versões nacionais para o segundo semestre — e os descontos devem ficar bem abaixo dos esperados.

A Anvisa avalia 14 pedidos de registro e concederá no máximo três autorizações por semestre — um processo que deve se estender até meados de 2028. A EMS, maior farmacêutica do país, prevê que suas canetas cheguem às farmácias no mínimo 90 dias após a obtenção do registro, com início de vendas esperado para o segundo semestre.

A Novo Nordisk planeja produzir suas canetas em Minas Gerais e avalia recorrer ao STF da decisão que negou a extensão de sua patente. Especialistas consideram improvável uma vitória, dado o impacto que a medida teria sobre toda a legislação de patentes do país.

Riscos médicos e o desafio da automedicação

Para médicos indianos, a queda de preço da semaglutida é bem-vinda — mas vem acompanhada de alertas. Os agonistas de GLP-1 têm efeitos colaterais que incluem náusea, vômito e problemas digestivos; casos mais raros envolvem cálculos biliares ou pancreatite. A perda de peso acelerada sem proteínas e exercícios também pode causar perda de massa muscular.

O cirurgião bariátrico Muffazal Lakdawala, de Mumbai, alerta que preços mais baixos podem ampliar o risco de uso sem supervisão médica. Treinadores de academia, clínicas de estética e nutricionistas sem habilitação já prescrevem doses inadequadas — prática que tende a se ampliar com genéricos mais acessíveis.

O especialista em diabetes Rahul Baxi aponta que muitos pacientes chegam pedindo “perder 10 kg em três meses”, influenciados por vídeos no Instagram. Segundo ele, o aumento gradual da dose, o foco em proteínas e o treinamento de força são essenciais para resultados seguros e duradouros.

O governo indiano já reagiu: a agência reguladora alertou empresas farmacêuticas contra publicidade direta ao consumidor que prometa resultados dramáticos sem dieta e exercício — classificando tais práticas como enganosas.

No mesmo dia em que a patente do Ozempic expira, a Anvisa aprovava o Mounjaro Multidose, da Eli Lilly — evidência de que o mercado brasileiro de injetáveis para diabetes e controle de peso vive uma inflexão sem precedentes.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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