A Anvisa aprovou nesta quarta-feira (18) o Mounjaro Multidose, nova versão do medicamento à base de tirzepatida indicado para diabetes tipo 2. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União por meio da Resolução-RE nº 1.041.
A novidade está no formato multidose: uma única caneta aplicadora poderá ser usada em múltiplas injeções, diferentemente do modelo atual de uso único.
O registro foi concedido à Eli Lilly do Brasil com validade de 24 meses. A chegada do produto às farmácias ainda depende da definição de preço pela CMED.
A autorização contempla seis concentrações diferentes do produto, todas em solução injetável de aplicação subcutânea, sob responsabilidade da Gerência-Geral de Medicamentos da Anvisa.
Com o formato multidose, o paciente poderá usar a mesma caneta em mais de uma aplicação — mudança prática relevante para quem está em uso contínuo do medicamento e hoje precisa de um novo dispositivo a cada dose.
Mecanismo e indicação
A tirzepatida age sobre hormônios envolvidos no controle da glicose e do apetite. Esse duplo mecanismo favorece tanto o manejo da glicemia quanto a redução de peso, características que impulsionaram a demanda pelo Mounjaro entre pacientes com diabetes tipo 2.
Assim como o teplizumabe, aprovado pela Anvisa há poucos dias para retardar o diabetes tipo 1 em crianças, o Mounjaro Multidose ainda precisa passar pela CMED — etapa obrigatória que define o preço máximo antes de qualquer venda no país.
O Mounjaro Multidose chega a um mercado em inflexão. A patente do Ozempic expira em março, abrindo caminho para versões nacionais da semaglutida a preços menores — e aumentando a pressão competitiva sobre a Eli Lilly no segmento de injetáveis para diabetes e controle de peso.
Próximos passos
A Eli Lilly ainda não divulgou datas ou estratégia de lançamento. Sem a aprovação da CMED, o produto não pode ser vendido mesmo com o registro sanitário em mãos.
O formato multidose pode representar uma vantagem de conveniência frente às versões de dose única já disponíveis no mercado, potencialmente reduzindo o número de dispositivos descartados por paciente a cada ciclo de tratamento.