O Banco de Brasília (BRB) cancelou a assembleia geral desta quarta-feira (18) e precisará recomeçar a negociação com investidores na Faria Lima para levantar os R$ 8,86 bilhões necessários para cobrir o rombo do Banco Master.
A decisão foi provocada pela instabilidade jurídica em torno da venda de R$ 6,6 bilhões em imóveis públicos do Distrito Federal, cujo processo foi interrompido e retomado pela Justiça em dias alternados.
O que seria votado na assembleia cancelada
A reunião desta quarta votaria a proposta do conselho de administração de emitir até 1,67 bilhão de novas ações ordinárias para levantar até R$ 8,86 bilhões — operação que o BRB agora terá de vender novamente ao mercado após o colapso jurídico da semana.
A captação é necessária para reenquadrar o balanço do banco nos limites prudenciais exigidos pela regulação financeira brasileira. Sem esse ajuste, o BRB opera em desacordo com as normas do Banco Central.
A lei de Ibaneis e o vaivém judicial
A insegurança jurídica tem origem direta na lei sancionada por Ibaneis Rocha em 14 de março, que autorizou o uso de nove imóveis públicos do DF como garantia para a captação — e que passou a ser contestada judicialmente nos dias seguintes, alternando entre bloqueios e liberações até inviabilizar a assembleia.
O trabalho feito pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, ao longo de fevereiro para convencer investidores terá de ser refeito. O próprio Souza admitiu que a instabilidade das decisões judiciais dificultou a confiança dos participantes na operação.
Prazo curto e múltiplas vulnerabilidades
O BRB precisa apresentar seu plano de capital ao Banco Central até o fim de março, em um cenário que já inclui nota “CCC” nas agências de risco e quatro vulnerabilidades simultâneas identificadas após a herança dos ativos do Master — tornando o impasse desta semana ainda mais delicado para a instituição.
Além da emissão de ações, o BRB trabalha com pelo menos outros três mecanismos principais para restabelecer seu patrimônio, sem detalhar quais seriam as alternativas no comunicado enviado ao mercado.
Em entrevista à GloboNews, o presidente Nelson Antônio de Souza reconheceu que o banco terá de correr atrás dos investidores novamente. A turbulência jurídica, segundo ele, abalou a convicção de quem estava prestes a participar da operação.