O banqueiro Daniel Vorcaro trocou de advogado na sexta-feira (13) em movimento que sinaliza uma possível virada de estratégia: abrir negociação para uma delação premiada no caso do banco Master.
Pierpaolo Bottini, contrário ao uso de acordos de colaboração, deixou a defesa. Em seu lugar assume José Luís Oliveira Lima, o Juca, um dos criminalistas mais respeitados do país e defensor da delação como instrumento legítimo de defesa.
A mudança ocorre horas depois de a Segunda Turma do STF formar maioria para manter Vorcaro preso preventivamente — cargo que ocupa desde 4 de março.
Pressão da prisão muda o tabuleiro
A decisão do Supremo funcionou como catalisador. Nos bastidores, advogados que acompanham o caso avaliam que a manutenção da prisão aumenta a pressão sobre o banqueiro e torna um acordo de colaboração muito mais provável.
O ministro André Mendonça, relator do caso, classificou Vorcaro como integrante de uma “perigosa organização criminosa armada” — linguagem que reforça a gravidade das acusações e o peso do encarceramento. Mendonça foi acompanhado pelos ministros Luiz Fux e Nunes Marques; o voto de Gilmar Mendes ainda está pendente.
Também ficaram presos pela mesma decisão: Fabiano Campos Zettel, cunhado de Vorcaro; Marilson Roseno da Silva; e Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, que morreu após atentar contra a própria vida logo depois de ser detido, segundo a Polícia Federal.
Dias Toffoli, relator original das investigações sobre fraudes bilionárias envolvendo o banco Master, declarou-se suspeito de participar dos julgamentos da 3ª fase da Operação Compliance Zero após a PF elaborar um relatório sobre conexões entre ele e Vorcaro.
Na quinta-feira (12), a defesa ainda negava qualquer negociação com a PGR: “Essa informação jamais partiu de qualquer dos advogados envolvidos no caso”, dizia o comunicado — posição que se tornou insustentável depois da decisão da Corte.
Centrão temia os efeitos de uma delação
A urgência da troca de advogado faz ainda mais sentido à luz do que ocorreu nos bastidores do Supremo: lideranças do centrão pressionaram ministros para evitar a prisão justamente pelo temor de que uma delação atingisse atores políticos relevantes. Com a decisão da Corte, porém, o cenário mudou radicalmente.
Já na semana anterior, advogados consultados haviam recusado assumir a defesa caso a estratégia fosse baseada em delação — sinal que investigadores leram como indicativo do caminho que Vorcaro considerava tomar. A chegada de Juca consolida essa leitura.
Vorcaro está recolhido na Penitenciária Federal de Brasília desde 4 de março, cumprindo o período de adaptação de 20 dias. A Operação Compliance Zero, que resultou em sua prisão preventiva, apura fraudes bilionárias ligadas ao banco Master.