No 14º dia da guerra entre EUA, Israel e Irã, o presidente Donald Trump afirmou a líderes do G7 que o regime iraniano está “prestes a se render”, segundo revelou o jornal americano Axios nesta sexta-feira (13).
A declaração foi feita em uma ligação telefônica na quarta-feira e confirmada por autoridades de três países do grupo — composto por EUA, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão.
Mas o cenário que Teerã apresenta é outro: Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo iraniano, prometeu em seu primeiro pronunciamento continuar os ataques retaliatórios e manter o Estreito de Ormuz fechado.
Otimismo americano versus resistência iraniana
A promessa de rendição iminente ao G7 é mais uma virada retórica de Trump. No 7º dia de guerra, o presidente ainda exigia a rendição incondicional do Irã e anunciava uma nova fase devastadora dos bombardeios — agora, o discurso passou a ser de vitória já consolidada.
Nas redes sociais nesta sexta-feira, Trump afirmou que os EUA estão “destruindo totalmente” o regime iraniano — militar e economicamente — e antecipou novos ataques: “Vejam o que acontecerá hoje com esses canalhas desequilibrados”.
Em publicação durante a madrugada, o presidente disse ter “munição ilimitada e muito tempo” no conflito, reafirmou estar vencendo a guerra e declarou ser “uma grande honra” matar autoridades do regime: “Eles vêm matando pessoas inocentes em todo o mundo há 47 anos, e agora eu, como o 47º presidente dos Estados Unidos da América, estou matando eles”.
Os Exércitos dos EUA e de Israel realizam ataques diários em território iraniano há duas semanas, tendo atingido milhares de alvos. Em resposta, o regime mantém ofensivas retaliatórias contra Israel e bases americanas no Oriente Médio, espalhando o conflito pela região.
Novo líder supremo do Irã desafia pressão americana
A ascensão de Mojtaba Khamenei ao posto de líder supremo representa um fator novo no conflito. Em seu primeiro pronunciamento, ele não apenas prometeu continuar os ataques retaliatórios como confirmou a manutenção do fechamento do Estreito de Ormuz — uma pressão econômica de alto impacto sobre o comércio global de petróleo.
Quatro dias antes, Trump já havia declarado à CBS News que a guerra estava “praticamente concluída” — mais uma em uma série de afirmações triunfantes que contradizem a resistência iraniana no campo. A cada nova declaração, o regime de Teerã responde com ações que desmentem a narrativa de colapso iminente.
No fim de semana anterior, Trump havia previsto que o Irã permaneceria o “perdedor do Oriente Médio por muitas décadas” até se render ou entrar em colapso total — retórica que agora o presidente leva diretamente aos parceiros do G7, transformando a guerra em argumento diplomático.