Forças americanas bombardearam nesta sexta-feira (13) a ilha iraniana de Kharg, no Golfo Pérsico — principal terminal de exportação de petróleo do Irã, responsável por cerca de 90% das vendas externas do produto.
O presidente Donald Trump anunciou o ataque em post na Truth Social, afirmando que os alvos militares na ilha foram “obliterados completamente”. Trump poupou a infraestrutura petrolífera, mas ameaçou atacá-la caso o Irã interfira na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz.
A ilha de Kharg atua como o coração logístico da indústria petrolífera iraniana. Por seus terminais passam os oleodutos que conectam campos produtores como Ahvaz, Marun e Gachsaran ao mercado externo — a maior parte com destino à China. Até esta sexta, Kharg havia escapado ilesa de mais de 5 mil bombardeios ao longo da história — uma decisão deliberada que envolvia riscos ao mercado global e planos para o pós-regime.
O Irã é o terceiro maior produtor da Opep e arrecadou cerca de US$ 78 bilhões (R$ 406,5 bilhões) em exportações de petróleo e gás em 2024, mesmo sob severas sanções americanas. A ilha tem capacidade estimada de até 7 milhões de barris por dia e é descrita por Trump como a “joia da coroa” do regime.
JP Morgan alerta para risco de retaliação no Ormuz
O banco americano JP Morgan avaliou que um ataque direto à infraestrutura de petróleo de Kharg “interromperia imediatamente a maior parte das exportações de petróleo bruto do Irã, provavelmente desencadeando uma forte retaliação no Estreito de Ormuz ou contra a infraestrutura energética regional”.
Trump afirmou que os EUA optaram, desta vez, por não destruir os ativos petrolíferos da ilha. A ameaça de reconsiderar essa posição está diretamente condicionada ao comportamento iraniano no Estreito de Ormuz, por onde escoa parcela significativa da produção global de energia.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, havia alertado na véspera que “qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao abandono de toda a contenção” do Irã no conflito.
No mesmo post na Truth Social, Trump foi além das operações militares e declarou que o Irã “não tem capacidade de defender nada que os Estados Unidos queiram atacar”, reiterando que Teerã “nunca terá uma arma nuclear”.
A Guarda Revolucionária, principal beneficiária das receitas geradas por Kharg e pilar de sustentação militar do regime, deve ser variável central nas movimentações iranianas que se seguirão ao ataque. A condição para preservar a infraestrutura de petróleo havia sido anunciada publicamente por Trump dias antes: qualquer interferência iraniana no Estreito de Ormuz resultaria em ataques “vinte vezes mais fortes”.
Analistas temiam que o bombardeio representasse um colapso financeiro para o Irã e provocasse instabilidade no mercado global de energia. A extensão real dos danos à infraestrutura e a resposta do regime seguem sendo avaliadas.