A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou, em plenário virtual, a análise dos recursos de cinco réus condenados pelo chamado núcleo 4 da trama golpista de 2022.
O grupo é acusado de disseminar desinformação sobre urnas eletrônicas e de promover ataques virtuais a instituições e autoridades. O relator, ministro Alexandre de Moraes, já votou para manter as condenações.
O julgamento segue até 23h59 do dia 20 de março, salvo pedido de vista ou destaque para sessão presencial.
Os réus e os argumentos dos recursos
Estão no centro do julgamento Carlos Cesar Moretzsohn Rocha, Angelo Martins Denicoli, Guilherme Marques de Almeida, Giancarlo Gomes Rodrigues e Ailton Gonçalves Moraes Barros — todos condenados em outubro de 2025 pela Primeira Turma do STF.
Nos recursos, os réus contestam as provas utilizadas no processo e questionam os cálculos das penas de prisão impostas. Também impugnam a determinação de indenização por danos morais e pedem a modificação do resultado, argumentando que eventuais omissões na decisão original deveriam resultar em absolvição.
O que fez o núcleo 4
O núcleo 4 foi o braço de desinformação da organização golpista: seus integrantes atuaram na disseminação de fake news sobre o sistema eleitoral brasileiro, sobretudo sobre as urnas eletrônicas, e coordenaram ataques virtuais a instituições e autoridades do Estado.
A condenação, proferida em outubro do ano passado, reconheceu as atividades do grupo como parte de uma tentativa articulada de desestabilizar o Estado democrático de direito após a derrota nas eleições presidenciais de 2022.
Formato virtual e próximos passos
No plenário virtual, os ministros inserem seus votos diretamente no portal do STF, sem necessidade de sessão presencial. O processo fica em aberto até as 23h59 do dia 20 de março — prazo que pode ser interrompido caso algum ministro faça pedido de vista, para mais tempo de análise, ou de destaque, que transfere o caso para julgamento físico.
Os réus do núcleo 4 não são os únicos condenados pelo golpe de 2022. Jair Bolsonaro, principal acusado da trama, já cumpre pena de 27 anos e três meses na Papudinha após a mesma Primeira Turma rejeitar seu pedido de prisão domiciliar.