A decisão da Segunda Turma do STF de manter a prisão preventiva de Daniel Vorcaro produziu dois efeitos imediatos no cenário político de Brasília.
O primeiro retira o foco sobre o próprio Supremo, afastando a pressão que havia se acumulado sobre a Corte no caso Master. O segundo — e mais perturbador para o Centrão — é o temor de que a prisão prolongada crie um ambiente favorável a uma delação premiada do banqueiro.
Com a maioria formada, a avaliação de integrantes do STF é que o inquérito retoma seu rito natural, sob a condução do ministro André Mendonça. O risco de o processo se transformar no “caso Supremo” — como havia ocorrido durante a relatoria de Dias Toffoli, que deixou a função — fica assim afastado.
A segunda consequência, porém, é a que mais inquieta os bastidores políticos. Investigadores avaliam que a manutenção da prisão cria um ambiente propício para que Vorcaro considere um acordo de delação premiada com o Ministério Público. A defesa do banqueiro nega que qualquer negociação esteja em curso, mas isso não dissipou o temor na classe política.
Segundo investigadores da Polícia Federal ouvidos pela reportagem, 80% do material apreendido com Vorcaro e com os demais investigados já foi analisado. Com esse avanço, novas operações da PF devem ser deflagradas nas próximas semanas — um dado que eleva o nível de preocupação entre políticos que temem ser alcançados pelo caso.
Na sexta-feira (13), o STF formou maioria para manter a prisão preventiva mesmo após pressão direta de lideranças políticas junto a ministros da Corte, consolidando o cenário que agora alimenta o clima de temor nos bastidores de Brasília.
Nos bastidores, a frustração no Centrão é palpável. Vários políticos apostavam em um empate no julgamento da Segunda Turma — placar que, por favorecer o réu, permitiria a Vorcaro deixar a prisão. A projeção não se concretizou, e o veredito foi recebido com temor acentuado entre integrantes do bloco.
A lógica era simples: lideranças avaliavam que o relaxamento da prisão seria uma “descompressão” para o dono do Banco Master. Com a prisão mantida, o raciocínio se inverte — quanto mais o tempo passa, maior a pressão sobre o banqueiro para buscar uma saída negociada.
Nos dias que antecederam o julgamento, lideranças do Centrão chegaram a mapear votos dentro da Segunda Turma e operar nos bastidores para garantir a soltura de Vorcaro — movimento motivado exatamente pelo temor de que o banqueiro optasse por uma delação premiada.
Vorcaro está preso desde 4 de março sob suspeita de crimes contra o sistema financeiro, organização criminosa e manutenção de uma milícia privada para monitorar autoridades e perseguir jornalistas. O volume das acusações explica por que uma eventual delação é tratada com tanto temor pela classe política.