Em 13 dias de guerra, EUA e Israel executaram mais de 5 mil ataques ao Irã — e não tocaram uma única vez na Ilha de Kharg, a 25 km da costa iraniana no Golfo Pérsico. O terminal responde por 90% das exportações de petróleo do país e movimenta até 7 milhões de barris por dia.
A preservação não é acidente. Por trás dela há um cálculo que mistura riscos econômicos globais, planos para o pós-regime e o próprio futuro político de Donald Trump.
O preço de destruir Kharg
Inativar o terminal significaria o colapso da economia iraniana por décadas. O impacto não ficaria restrito ao Irã: desde o primeiro dia de conflito, analistas alertam que o petróleo pode ultrapassar US$ 100 o barril — e qualquer ataque direto a Kharg tornaria esse cenário praticamente inevitável.
Há também uma lógica de reconstrução: sem o terminal funcionando, nenhum governo que sucedesse o regime islâmico teria condições de conduzir uma transição econômica minimamente estável. Washington precisa de um Irã capaz de se reerguer — não de um Estado falido.
A proposta de tomar, não destruir
Uma alternativa que circula na Casa Branca é mais audaciosa: assumir o controle da ilha em vez de bombardeá-la. O assessor Jarrod Agen, diretor do Conselho Nacional de Domínio Energético, defendeu a ideia à Fox News Business.
“O que queremos fazer é tirar essas enormes reservas de petróleo do Irã das mãos de terroristas”, disse Agen. Com Kharg sob controle americano, os EUA deixariam de se preocupar com tentativas iranianas de bloquear o Estreito de Ormuz — que Teerã já declarou fechado, deixando 20 mil tripulantes presos no Golfo Pérsico.
Terceiro maior produtor da Opep, o Irã arrecadou cerca de US$ 78 bilhões (R$ 406,5 bilhões) em exportações de petróleo e gás em 2024 — mesmo sob pesadas sanções americanas. A maior parte da produção tem como destino a China.
Kharg recebe o petróleo por oleoduto dos campos de Ahvaz, Marun e Gachsaran. Como principal terminal do país, também é fonte direta de receita para a Guarda Revolucionária, que sustenta o regime militarmente.
O regime não ignora o que está em jogo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, avisou nesta quinta-feira (12) que “qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao abandono de toda a contenção” por parte de Teerã.
Uma tomada de Kharg exigiria tropas terrestres expostas a pesados contra-ataques — e carregaria riscos políticos internos. Com Trump já ameaçando destruir embarcações iranianas que operam minas no Estreito de Ormuz, uma captura fracassada da ilha representaria uma derrota de proporções eleitorais às vésperas das eleições de meio de mandato nos EUA.