O Irã lançou nesta quinta-feira (12) uma nova onda de ataques contra infraestruturas petrolíferas no Golfo Pérsico, no 13º dia de guerra contra Estados Unidos e Israel. A ofensiva atingiu depósitos de combustível no Bahrein e em Omã, e um campo de petróleo na Arábia Saudita.
No Bahrein, um incêndio de grandes proporções destruiu um depósito em Al Muharraq, região vizinha ao aeroporto internacional de Manama. O governo bahreinita acusou Teerã pelo ataque e pediu à população que permanecesse em casa por causa da fumaça densa.
Dois petroleiros foram atingidos perto da costa iraquiana — com origem do ataque ainda não identificada —, deixando pelo menos um morto e vários desaparecidos. Um porta-contêineres também foi alvo de “projétil desconhecido” nos Emirados Árabes Unidos.
Escalada no Estreito de Ormuz
A guerra, iniciada em 28 de fevereiro com os bombardeios de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã, adquiriu dimensão regional e ameaça o abastecimento global de energia. O tráfego foi paralisado no Estreito de Ormuz, passagem estratégica por onde circula 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito (GNL).
Em Omã, os depósitos de combustível do porto de Salalah pegaram fogo na quarta-feira após um ataque com drones, segundo a agência AFP. A Arábia Saudita denunciou uma nova investida contra o campo de petróleo de Shaybah, no leste do país — um dos polos de produção mais relevantes da região.
O presidente Donald Trump afirmou na quarta-feira que o Irã estava “perto da derrota” e que “praticamente não restava nada para atacar”. Ele prometeu que a região do Estreito de Ormuz em breve teria “grande segurança” e que 28 navios iranianos instaladores de minas foram destruídos — a operação ganha peso diante da confirmação prévia de que o Irã instalara cerca de uma dúzia de minas navais no Estreito, segundo a Reuters.
Segundo fontes do Congresso americano ouvidas pelo New York Times, apenas a primeira semana de guerra custou aos Estados Unidos mais de 11 bilhões de dólares.
Ameaças à economia global e retirada de empresas
A Guarda Revolucionária iraniana declarou estar determinada a conduzir uma longa “guerra de desgaste” contra os interesses ocidentais. O representante Ali Fadavi ameaçou “destruir toda a economia americana e mundial” caso as forças dos Estados Unidos não se retirem da região.
O Exército iraniano anunciou planos de atacar “os centros econômicos e os bancos” do Golfo. A agência estatal Tasnim apontou empresas de tecnologia americanas como “futuros alvos” — Amazon, Google, Microsoft, IBM, Oracle e Nvidia estão na lista divulgada por Teerã.
As ameaças já produzem efeitos concretos: o grupo bancário Citi e as consultorias Deloitte e PwC retiraram funcionários ou fecharam escritórios em Dubai após receberem ameaças diretas.
Israel, que apoia Washington no conflito, não estabeleceu “nenhum limite de tempo” para as operações e afirma dispor de “ampla reserva de alvos”. Os ataques a depósitos de combustível no Bahrein e em Omã espelham uma estratégia que Israel já aplicava contra o próprio Irã — aviões israelenses bombardearam instalações similares em Teerã nos dias anteriores, provocando incêndio de grandes proporções na capital iraniana.