O presidente iraniano Masoud Pezeshkian divulgou, na quarta-feira (11), as três condições de Teerã para encerrar a guerra com Israel e os Estados Unidos: reconhecimento dos ‘direitos legítimos’ do Irã, pagamento de reparações e criação de garantias internacionais contra novas agressões.
Em publicação nas redes sociais, Pezeshkian classificou essas exigências como ‘o único caminho’ para a paz — e responsabilizou seus adversários pela escalada do conflito no Oriente Médio.
A origem do conflito
O confronto no Oriente Médio teve início no fim de fevereiro, após ataques conjuntos de Estados Unidos e Israel a alvos estratégicos em território iraniano. Os bombardeios resultaram na morte do líder supremo Ali Khamenei e de parte da cúpula militar do país — um golpe sem precedentes que desencadeou uma onda de retaliações por parte de Teerã.
Desde então, forças iranianas atacam bases americanas e posições israelenses, além de elevar a pressão sobre embarcações no Golfo Pérsico — rota responsável por cerca de 20% do fluxo mundial de petróleo.
Respostas de Washington e Tel Aviv
As três condições de Pezeshkian surgem como resposta direta ao ultimato americano: após uma semana de bombardeios, Trump havia descartado qualquer acordo que não fosse a rendição incondicional do Irã — leia mais sobre as exigências americanas.
A proposta iraniana contrasta com a avaliação de Trump, que declarou o conflito ‘praticamente concluído’ — afirmação recusada por Teerã, que mantém ofensiva de retaliação em curso. Veja o que Trump disse no 10º dia de guerra.
Israel, por sua vez, rejeitou qualquer interrupção imediata. O ministro da Defesa, Israel Katz, declarou que o país continuará sua ofensiva ‘enquanto for necessário’, até atingir todos os objetivos militares definidos pelo governo.
Diplomacia paralela
Em sua publicação, Pezeshkian revelou ter conversado com o presidente russo, Vladimir Putin, a quem manifestou o compromisso do Irã com a paz na região — ao mesmo tempo em que responsabilizava Washington e Tel Aviv pela escalada.
Dias antes, o presidente iraniano já havia rejeitado publicamente a exigência de rendição incondicional, classificando-a como ‘um sonho que deveriam levar para o túmulo’, enquanto forças iranianas bombardeavam países vizinhos do Golfo, incluindo Bahrein, Arábia Saudita e Emirados. Na mesma ocasião, pediu desculpas pelos ataques, atribuindo-os a falhas internas de comunicação — leia a cobertura completa do episódio.
O discurso das três condições representa uma tentativa de Teerã de reposicionar sua imagem internacionalmente — de agressor a parte disposta ao diálogo —, ainda que as exigências apresentadas sejam de difícil aceitação por Washington e Tel Aviv no atual estágio do conflito.