O Brasil encerrou fevereiro com inflação de 0,70%, acima dos 0,6% projetados pelo mercado financeiro. O resultado foi divulgado nesta quinta-feira (12) pelo IBGE por meio do IPCA, o índice oficial de preços do país.
O acumulado em 12 meses recuou para 3,81%, ante os 4,44% do período anterior — mas o número mensal surpreendeu negativamente analistas, que esperavam índice próximo de 3,77% no ano.
Dois grupos concentraram cerca de dois terços da alta: Educação e Transportes responderam juntos por 66% do IPCA de fevereiro.
Educação lidera a pressão inflacionária
O grupo Educação registrou alta de 5,21% em fevereiro e respondeu por 0,31 ponto percentual do IPCA — quase metade do resultado do mês. A principal pressão veio dos cursos regulares, com reajuste de 6,20%, reflexo da atualização anual de mensalidades que ocorre no início do ano letivo.
Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE, confirma que o movimento é recorrente: instituições de ensino concentram seus reajustes nos primeiros meses do ano, o que historicamente pesa sobre o índice nesse período.
Transportes: passagens aéreas disparam 11,4%
O grupo Transportes avançou 0,74% e contribuiu com 0,15 ponto percentual para o resultado. O destaque foi o salto de 11,4% nas passagens aéreas. O seguro voluntário de automóveis encareceu 5,62%, o conserto de veículos subiu 1,22% e o ônibus urbano avançou 1,14%.
As tarifas variaram conforme a política de cada cidade. São Paulo aplicou reajuste de 3,85% em ônibus e trem a partir de 6 de janeiro. Em sentido oposto, Brasília registrou queda de 9,54% no metrô graças à gratuidade em domingos e feriados, enquanto Curitiba teve recuo de 1,27% nos ônibus pelo mesmo motivo.
O táxi encareceu em diversas capitais: Porto Alegre (+4,26%), Salvador (+4,53%), Rio de Janeiro (+4,92%) e Fortaleza (+18,70%). Os combustíveis, por outro lado, aliviaram a pressão — a gasolina recuou 0,61% e o gás veicular caiu 3,10%, puxando o grupo para queda geral de 0,47%.
Os demais grupos pesquisados registraram variações mais moderadas. Artigos de residência tiveram a menor alta do mês, de 0,13%, enquanto Saúde e cuidados pessoais avançou 0,59%.
Antes de fevereiro, o mercado financeiro projetava IPCA de 3,91% para 2026 e apostava em cortes de juros ao longo do ano — um resultado acima do esperado como o de fevereiro pode adicionar cautela a esse cenário e pesar sobre as próximas decisões do Banco Central em relação à taxa Selic.
O acumulado de 3,81% em 12 meses segue dentro da meta de inflação, mas a surpresa negativa no dado mensal acende um sinal de atenção. Para março, a tendência é de alívio no grupo Educação, já que os principais reajustes de mensalidades ficam concentrados nos dois primeiros meses do ano. A evolução dos preços de combustíveis e energia, porém, continuará sendo acompanhada de perto por analistas e pelo Banco Central.