Meio ambiente

Fukushima, 15 anos depois: cidade quase vazia tenta não virar terra morta

De 7.200 para 190 moradores, Futaba aposta em startups e vinícolas para não desaparecer do mapa

Quinze anos após o maior acidente nuclear desde Chernobyl, Futaba, no Japão, passou de 7.200 habitantes para menos de 200. As ruas continuam de pé. As casas também. Mas as pessoas, em sua maioria, nunca voltaram.

Isuke Takakura foi um dos poucos que retornou. Caminha pelas ruas vazias que conhece desde criança e resume o que o fez ficar: “Se ninguém fizer nada, este lugar se tornará uma terra morta.”

Em março de 2011, terremoto de magnitude 9.0 e tsunami devastaram o litoral japonês, matando mais de 20 mil pessoas e provocando a fusão de reatores da usina de Fukushima Daiichi. A evacuação que se seguiu, uma década e meia depois, ainda não se reverteu.

Uma cidade congelada no tempo

Futaba fica a cerca de 4 quilômetros da usina de Fukushima Daiichi, operada pela TEPCO. Em março de 2011, toda a população foi obrigada a evacuar. Casas ficaram com objetos sobre as mesas, carros parados nas garagens. O tempo parou.

Seis anos depois, o governo japonês começou a retirar gradualmente as ordens de evacuação após extensos trabalhos de descontaminação. Milhões de metros cúbicos de solo contaminado foram removidos de campos e áreas urbanas. Mesmo assim, a maioria dos moradores não voltou.

Hoje, Futaba tem oficialmente cerca de 190 habitantes — queda de mais de 97% em relação aos 7.200 de antes do desastre. Os que retornam convivem com uma pergunta sem resposta clara: é possível reconstruir uma comunidade depois que quase todos foram embora?

Os níveis de radiação na região, segundo o governo japonês e a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), são hoje comparáveis aos de grandes cidades do mundo. O medo persiste mesmo assim — especialmente em relação aos alimentos. Fukushima sempre foi conhecida pelo arroz, pêssegos e maçãs que abasteciam mercados em todo o Japão. Após o acidente, esses produtos passaram a carregar um estigma difícil de apagar. Embora sejam os mais testados do país, muitos consumidores ainda os evitam.

Laboratório de inovação no epicentro do desastre

A resposta encontrada por empreendedores foi transformar o estigma em diferencial. Em Namie, município vizinho, uma startup testa aquicultura em terra firme com tanques circulares, água salgada artificial e sensores digitais. “Se conseguirmos provar que funciona aqui, pode funcionar em qualquer lugar do Japão”, diz Koyo Takenoshita, responsável pelo projeto.

Outra empresa local produz bioplástico a partir de arroz que agricultores não conseguem vender por causa do estigma nuclear. “Queremos mostrar que daqui também podem surgir tecnologias boas para o meio ambiente”, diz Shohei Iida, proprietário da fábrica. Parte do material vem de estoques governamentais que seriam descartados — unindo descarte agrícola e reconstrução econômica.

Em Tomioka, cidade vizinha, a Tomioka Winery nasceu em 2016 de uma aposta improvável: plantar uvas em solo devastado pelo tsunami. Sem tradição vitícola, dez moradores retornaram e plantaram 200 mudas. Nos primeiros anos, quase tudo deu errado — pragas, doenças e solo alterado. No terceiro, vieram as primeiras uvas. Este ano, a vinícola espera produzir cerca de 10 mil garrafas.

Uma empresa têxtil também se instalou na região para fabricar fios especiais usados em toalhas e tecidos. Para o fundador Masami Asano, o passado trágico pode virar vantagem competitiva. “Quando um lugar enfrenta algo tão difícil, surge também uma força de reação. É daí que nasce algo novo.”

Entre os trabalhadores dessas iniciativas está uma geração marcada pela memória de 2011. Riona Okada tinha cinco anos quando a família fugiu. Hoje trabalha em Futaba e resume o que a trouxe de volta: “Se ninguém fizer nada, nada vai mudar.” Seu sonho é se tornar presidente da empresa onde atua.

Quinze anos depois, Fukushima segue em transição. A maioria dos que retornam são novos moradores, vindos de outras regiões. O vazio ainda domina grande parte da paisagem — e em Futaba, o silêncio continua sendo a presença mais constante. A reconstrução avança devagar, entre símbolos e startups, memória e novos mercados.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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