Os Estados Unidos se preparam para despachar mais 2.500 fuzileiros navais ao Oriente Médio, segundo a agência americana Associated Press. Junto com as tropas, o navio de assalto anfíbio USS Tripoli recebeu ordens de se deslocar para a região.
O reforço ocorre enquanto os EUA travam guerra contra o Irã ao lado de Israel — conflito que já provoca crescente desgaste político interno para o presidente Donald Trump.
A 31ª Unidade Expedicionária é a formação à qual pertencem os fuzileiros navais convocados para o Oriente Médio. O USS Tripoli é um navio de assalto anfíbio da classe America, lançado em 2019, projetado para operar em zonas de conflito costeiro e de projeção de força naval.
O deslocamento contradiz diretamente uma declaração recente do próprio governo: apenas dois dias antes, Trump havia descartado publicamente o envio de tropas terrestres ao Irã — posição que a mobilização da 31ª Unidade Expedicionária coloca agora em xeque.
O reforço chega no momento em que os EUA anunciaram o pico de intensidade da ofensiva, com mais de 5 mil alvos destruídos em dez dias e a escalada sem sinal de recuo.
O USS Tripoli segue para uma zona de alto risco naval: a inteligência americana identificou que o Irã está posicionando minas no Estreito de Ormuz, ameaça que já levou Trump a ordenar a destruição de embarcações iranianas na área.
A contradição com o “presidente da paz”
A decisão de mobilizar novas tropas gera desconforto dentro da própria base trumpista. Durante a campanha de 2024, apoiadores chamavam Trump de “presidente da paz” — e o então candidato acusava os democratas de serem os responsáveis por eventuais guerras com o Irã e pelo risco à vida de militares americanos.
O cenário hoje é radicalmente diferente. Pesquisas recentes mostram que apenas 1 em cada 4 americanos aprova os ataques que resultaram na morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei. Com as baixas americanas crescendo, a pressão pública sobre o governo para justificar a lógica do conflito aumenta na mesma proporção.
O desgaste começa a ameaçar a coesão do movimento MAGA. Apoiadores que elegeram Trump com a promessa de paz veem o presidente repetindo, na prática, o roteiro que por anos atribuíram aos seus adversários políticos.