Negócios

EUA investem bilhões nas terras raras do Brasil para isolar a China

Ofensiva inclui US$ 565 mi na mineradora Serra Verde e pressão diplomática para acordo com o Itamaraty

Os Estados Unidos lançaram uma ofensiva bilionária para garantir acesso às reservas de minerais críticos do Brasil — e reduzir a influência chinesa sobre esse mercado.

A estratégia americana avança em duas frentes: econômica, com investimentos diretos em mineradoras brasileiras, e política, com pressão para que o governo Lula assine um acordo bilateral rapidamente.

O Brasil detém entre 20% e 23% das reservas mundiais de terras raras — segunda posição global, atrás apenas da China — e ocupa lugar central na agenda de segurança mineral de Donald Trump.

Meio bilhão para mudar o destino das terras raras brasileiras

O maior movimento ocorreu em fevereiro: a Corporação Financeira dos EUA para o Desenvolvimento Internacional (DFC) anunciou um financiamento de US$ 565 milhões para a mineradora Serra Verde, em Goiás — única empresa com operação comercial de terras raras ativa no Brasil. Em troca, os americanos obtiveram participação acionária na companhia.

O contexto explica a urgência. Em 2025, o Brasil exportou US$ 12 milhões em terras raras, e 99,4% foram para compradores chineses. Praticamente toda essa produção saiu da Serra Verde. Em dezembro, a empresa anunciou que encerraria seu contrato de fornecimento com a China até o fim de 2026 — sete anos antes do previsto.

Em setembro de 2025, os EUA já haviam investido US$ 5 milhões na Aclara, mineradora com projetos de pesquisa em Nova Roma, Goiás.

A próxima etapa ocorre nesta quarta-feira (18/3), em São Paulo: o Consulado americano organiza um fórum sobre minerais críticos com empresários, governos e bancos de investimento. O foco está em mineradoras “juniors” — de pequeno porte e em fase de pesquisa — com projetos em Goiás, Minas Gerais e Bahia. Um requisito americano é claro: a produção deve ser destinada aos EUA ou seus aliados, não à China.

O desafio, porém, é estrutural. Os EUA hoje conseguem refinar apenas 11% da produção global de terras raras, o que torna a China parte inevitável da cadeia, ao menos no curto prazo. “Os Estados Unidos vão ter que desenvolver capacidade de processamento de terras raras”, afirma Julio Nery, diretor de assuntos minerários do Ibram.

Lula resiste: sem repetir o erro do minério de ferro

Na frente política, os americanos enviaram ao Itamaraty, em fevereiro, uma proposta de memorando de entendimento — similar ao acordo firmado com a Austrália em outubro de 2025. O texto prevê preço mínimo para minerais críticos, agilização de licenciamentos e prioridade para compradores americanos ou aliados.

A expectativa dos EUA é que o Brasil sinalize sua posição antes de uma possível visita de Lula a Washington — encontro ainda sem data confirmada pelos dois governos.

Lula já havia deixado clara sua condição na semana anterior: o Brasil não repetiria com as terras raras o que fez com o minério de ferro, exportado bruto para depois recomprar produtos acabados a preços muito maiores. Qualquer acordo teria que incluir o processamento industrial em solo brasileiro.

O governo brasileiro também se recusa a dar exclusividade aos americanos. Interlocutores de Lula defendem a diversificação de parceiros — Europa, Japão e a própria China — para maximizar o valor estratégico das reservas nacionais.

O cenário é de disputa crescente. A demanda global por minerais críticos deve crescer 1.500% até 2050, segundo a Unctad. “É uma corrida geopolítica muito bem estruturada”, avalia Elena Rodriguez, professora da PUC-Rio e diretora do Brics Policy Center. Para especialistas, o Brasil tem uma janela rara para mudar seu papel histórico de exportador de commodities brutas — mas precisará de estratégia para não desperdiçá-la.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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