O governo dos Estados Unidos anunciou nesta sexta-feira (13) uma recompensa de US$ 10 milhões — cerca de R$ 52,5 milhões — por informações que levem à captura de Mojtaba Khamenei, líder supremo do Irã, e de outros nove altos funcionários do regime.
O Departamento de Estado incluiu na lista o ministro do Interior e o ministro da Inteligência e Segurança iranianos. Informantes devem usar os canais seguros Tor ou Signal e podem ser realocados em troca dos dados fornecidos.
A oferta faz parte do programa Rewards for Justice (Recompensas por Justiça), iniciativa mantida pelo Departamento de Estado para incentivar a captura ou julgamento de alvos considerados ameaça à segurança nacional americana.
Mojtaba Khamenei assumiu o poder após a morte de seu pai, o aiatolá Ali Khamenei, em 28 de fevereiro — no início da guerra travada por EUA e Israel contra o Irã. Desconhecido do público, Mojtaba jamais ocupou cargo público antes de assumir o poder — o que torna a recompensa americana ainda mais dependente de informantes que conheçam seus movimentos nos bastidores. Saiba como Mojtaba ascendeu à liderança suprema em meio à crise de legitimidade.
Desde que tomou o controle, o novo líder não apareceu publicamente. Na quinta-feira (12), sua primeira mensagem foi lida por uma apresentadora na televisão estatal iraniana — sinal da profunda incerteza que cerca seu estado de saúde e paradeiro.
O chefe do Pentágono declarou nesta sexta-feira que Mojtaba Khamenei está “ferido e provavelmente desfigurado”. A informação não é novidade para Washington: a Reuters já havia revelado que ele foi atingido nas pernas nos bombardeios de 28 de fevereiro — os mesmos ataques que mataram seu pai. Trump chegou a afirmar que os EUA eliminaram a liderança iraniana duas vezes.
A recompensa americana surge num momento em que o próprio povo iraniano está dividido: nas ruas de Teerã, cânticos de “morte a Mojtaba” coexistem com manifestações de apoio ao novo líder. Entenda como a divisão interna reflete a crise de legitimidade do regime.
Ao oferecer proteção e realocação a delatores, Washington sinaliza que a pressão sobre o regime vai além dos bombardeios — e que a guerra de informações pode ser tão decisiva quanto a militar.