Os Estados Unidos bombardearam a ilha Kharg, no Irã, principal terminal petrolífero do país e responsável por entre 90% e 95% das exportações de petróleo iranianas. O ataque foi ordenado pelo presidente Donald Trump e anunciado na sexta-feira (13).
Trump afirmou que os bombardeios atingiram apenas alvos militares, poupando a infraestrutura de petróleo. Em publicação na Truth Social, declarou que a operação “obliterou completamente” todos os alvos militares na ilha.
O presidente americano deixou uma ameaça: caso o Irã tente interferir na passagem de navios pelo Estreito de Ormuz, ele pode reconsiderar a decisão de preservar as instalações petrolíferas de Kharg.
Por que Kharg é estratégica
Localizada a menos de 25 km da costa iraniana, no Golfo Pérsico, a ilha abriga o principal terminal de exportação do Irã. Cerca de 1,3 milhão de barris passam diariamente pelo terminal, que tem capacidade para armazenar até 18 milhões de barris.
“Entre 90% e 95% das exportações de petróleo iranianas passam pela ilha de Kharg”, afirma Emmanuel Hache, diretor de pesquisa do Instituto de Relações Internacionais e Estratégicas (IRIS). Analistas temiam um ataque à região: qualquer interrupção nas atividades poderia causar impacto imediato no mercado global de petróleo.
A relevância estratégica de Kharg remonta ao Império Persa, há mais de dois mil anos. A presença de fontes de água doce — rara no Golfo Pérsico — transformou a ilha em ponto de parada para embarcações comerciais. O fator decisivo para a modernidade são as águas profundas ao seu redor, que permitem a atracação de grandes petroleiros, algo inviável na maior parte da costa iraniana.
Do reinado do xá à Revolução Islâmica
A transformação de Kharg em hub de exportação foi acelerada na década de 1950, durante o reinado do xá Mohammad Reza Pahlavi. O governo investiu em infraestrutura de armazenamento e distribuição, e parte das instalações chegou a ser operada por empresas americanas — até a Revolução Islâmica de 1979 transferir o controle ao regime iraniano.
Por 13 dias de conflito, EUA e Israel haviam evitado Kharg mesmo executando mais de 5 mil ataques ao Irã — o Tropiquim já havia explicado por que Washington relutava em destruir a ‘joia da coroa’ do petróleo iraniano.
No comunicado publicado na Truth Social, Trump descreveu Kharg com as mesmas palavras usadas pelo regime iraniano: a “joia da coroa” do país. Ele também declarou que o Irã “não tem capacidade de defender nada que os Estados Unidos queiram atacar” e reiterou que o país “nunca terá uma arma nuclear”.
A condição imposta para preservar a infraestrutura petrolífera não surgiu do nada: dias antes do bombardeio, Trump já havia declarado que atacaria o Irã ‘vinte vezes mais forte’ caso o país tentasse bloquear o Estreito de Ormuz.
Reação do Irã
O regime iraniano tratava Kharg como um dos pontos mais sensíveis do conflito. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, havia declarado na quinta-feira (12) que “qualquer agressão dos EUA contra o solo de ilhas iranianas levará ao abandono de toda a contenção” do país no conflito.
Trump encerrou o comunicado com uma provocação direta: “As Forças Armadas do Irã, e todos os envolvidos com esse regime terrorista, fariam bem em depor as armas e salvar o que resta do país, que já não é muito.”