Dois petroleiros foram atacados e incendiados por embarcações iranianas armadas com explosivos na noite de quarta-feira (11) no porto de Basra, no Golfo Pérsico. Um tripulante estrangeiro morreu e cerca de 25 pessoas foram evacuadas das embarcações em chamas.
Em resposta imediata, o Iraque fechou todos os seus portos de petróleo. Os portos comerciais do país seguem operando normalmente.
O diretor-geral da Companhia Portuária Iraquiana, Farhan al-Fartousi, confirmou à Agência de Notícias Iraquiana (INA) que equipes do porto conseguiram resgatar a tripulação de um dos petroleiros atacados — composta por mais de 20 pessoas.
O ataque ao porto de Basra é o mais recente de uma série crescente de ações iranianas na região. Dois dias antes, a Guarda Revolucionária do Irã já havia declarado ter atingido um petroleiro de bandeira americana no norte do Golfo Pérsico — episódio que ainda aguardava confirmação independente.
Com o novo incidente, a autoridade marítima britânica (UKMTO) contabiliza agora 16 ataques a navios no Golfo Pérsico desde o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã. O regime iraniano tem realizado ataques a navios e países do Oriente Médio como retaliação aos bombardeios norte-americanos e israelenses.
AIE libera recorde de 400 milhões de barris
Na mesma quarta-feira, os 32 países-membros da Agência Internacional de Energia (AIE) aprovaram a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de reservas de emergência para conter a alta de combustíveis provocada pela guerra no Oriente Médio.
É o maior volume já liberado na história da organização. O recorde anterior era de 182,7 milhões de barris, acionado após a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022. Com os ataques em Basra, o barril Brent cruzou a barreira dos US$ 100 no pregão seguinte, enquanto a AIE corria para estabilizar o mercado com a maior mobilização de reservas estratégicas de sua história.
Estreito de Ormuz concentra 20% da energia mundial
Os ataques pressionam diretamente o Estreito de Ormuz, rota por onde passa 20% de todo o petróleo e gás natural consumidos no mundo. Segundo a AIE, uma média de 20 milhões de barris por dia de petróleo bruto e derivados transitou pelo Estreito em 2025 — em um mercado global de 100 milhões de barris diários.
O bloqueio na rota foi o principal fator para a alta do barril nesta quarta-feira. A sequência de ataques a petroleiros tem raízes numa escalada mais ampla: um submarino norte-americano havia afundado um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, intensificando a crise no Estreito que já bloqueava mais de 200 embarcações.
Atualmente, os membros da AIE mantêm mais de 1,2 bilhão de barris em estoques públicos emergenciais, além de outros 600 milhões de barris em reservas industriais mantidas por obrigação governamental. O cronograma de liberação dos 400 milhões ainda será definido.