Pela primeira vez desde agosto de 2025, a desconfiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) ultrapassou a confiança. Segundo pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (12), 49% dos entrevistados dizem não confiar no STF, contra 43% que afirmam confiar. Outros 8% não souberam ou não responderam.
O levantamento foi encomendado pela Genial Investimentos e ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
A divisão de percepção segue as linhas políticas com precisão. Entre os bolsonaristas, 84% dizem não confiar no STF e apenas 13% confiam. Na direita não bolsonarista, a desconfiança também é dominante: 77% contra 20%. No campo oposto, 71% dos lulistas afirmam confiar no tribunal, com 21% declarando o contrário. Entre eleitores de esquerda não lulista, a confiança é ainda maior: 77%.
No segmento dos independentes, a desconfiança prevalece: 51% dizem não confiar no Supremo, contra 36% que confiam.
STF tem poder demais, diz maioria
Alguns dados transcendem a polarização. Para 72% dos entrevistados, o STF tem poder demais. E 66% afirmam ser importante votar em candidatos ao Senado comprometidos com o impeachment de ministros do tribunal — dado de alto impacto para o cenário eleitoral de 2026.
Ao mesmo tempo, 51% reconhecem que o STF foi importante para manter a democracia no Brasil. O resultado convive, sem contradição aparente para os entrevistados, com a percepção de excesso de poder.
A pesquisa também revelou que 59% dos brasileiros enxergam o Supremo como aliado do governo Lula — percepção que alimenta diretamente a desconfiança em setores de centro e direita.
Em comparação com o levantamento anterior, de agosto de 2025, a confiança no STF caiu de forma expressiva: eram 50% que confiavam, número que recua agora para 43%. A desconfiança avançou de 47% para 49%. O percentual de indecisos triplicou, passando de 3% para 8% — sinal de que a percepção sobre o tribunal está em movimento.
A mesma pesquisa Quaest mostrou que a desaprovação de Lula atingiu 51% — dado que se conecta diretamente ao fato de 59% dos brasileiros enxergarem o STF como aliado do governo.
Banco Master e o impacto no voto
O levantamento também mediu o peso do escândalo do Banco Master nas eleições. Para 38% dos eleitores, qualquer candidato ligado ao caso seria descartado na hora do voto. Outros 29% levariam o tema em consideração junto com outras questões, e 20% afirmaram que o episódio não influenciaria sua decisão.