Saúde

Cárie e gengivite elevam risco de AVC em 36%, indica novo estudo

Pesquisa acompanhou quase 6 mil adultos por duas décadas e reforça que cuidar dos dentes pode proteger o cérebro

Uma pesquisa publicada na Neurology Open Access, revista da Academia Americana de Neurologia, aponta que pessoas com cáries e doença gengival ao mesmo tempo têm risco significativamente maior de sofrer um acidente vascular cerebral (AVC).

O estudo analisou dados de 5.986 adultos com idade média de 63 anos ao longo de duas décadas e concluiu que a combinação desses dois problemas bucais eleva em 36% o risco de eventos cardiovasculares graves — incluindo infarto e AVC fatal.

Como o estudo foi conduzido

Os participantes, todos sem histórico de AVC no início da pesquisa, passaram por exames odontológicos para identificar a presença de cáries, doença periodontal ou ambas. O grupo foi dividido em três categorias conforme o quadro bucal e acompanhado por 20 anos via contatos telefônicos e registros médicos.

O que os números revelam

Após ajustes para variáveis como idade, índice de massa corporal e tabagismo, os dados confirmaram que a combinação de cáries e gengivite representa o cenário de maior risco. Esse grupo acumulou 36% mais chances de sofrer infarto, doença cardíaca fatal ou AVC em comparação a quem mantinha boa saúde bucal. Participantes que visitavam o dentista regularmente apresentaram resultados mais favoráveis em todos os indicadores.

Para Souvik Sen, autor do estudo e pesquisador da Universidade da Carolina do Sul, os achados ampliam a visão sobre prevenção. “Este estudo reforça a ideia de que cuidar dos dentes e gengivas não se resume apenas ao sorriso; pode ajudar a proteger o cérebro”, afirmou.

A pesquisa foi publicada na Neurology Open Access em outubro de 2025 e não prova causalidade direta, mas indica que a saúde bucal pode ser uma estratégia de prevenção frequentemente negligenciada.

Da boca ao cérebro: como a infecção viaja

A diretora da Associação Brasileira de Odontologia, Ludimila Saiter, explica que dois mecanismos conectam problemas bucais a doenças cardiovasculares e neurológicas. No primeiro, bactérias da gengiva inflamada entram na corrente sanguínea e podem se alojar em válvulas do coração ou em placas de gordura nas artérias. No segundo, a infecção crônica desencadeia inflamação sistêmica, liberando substâncias que danificam os vasos sanguíneos e elevam o risco de infarto e AVC.

Saiter observa que pacientes com gengivite ou periodontite grave frequentemente apresentam outras condições adversas associadas, como pressão alta ou diabetes descontrolado. “A boca não é um sistema isolado. Quando tratamos uma infecção bucal severa, é comum notar melhora nos indicadores gerais de saúde”, destacou.

Quando ir ao dentista

A recomendação padrão é uma consulta a cada seis meses — intervalo suficiente para detectar acúmulo de tártaro e problemas iniciais. Para grupos de risco, como fumantes, diabéticos ou pacientes com histórico de doença periodontal, o intervalo deve cair para três meses ou menos. Sangramento gengival, frequentemente normalizado pelos pacientes, nunca ocorre em gengivas saudáveis e deve ser tratado como sinal de alerta imediato.

Os pesquisadores ressaltam que a saúde bucal dos participantes foi avaliada apenas uma vez, no início do estudo, e que fatores não medidos podem ter influenciado os resultados. Ainda assim, os achados reforçam que manter dentes e gengivas saudáveis pode integrar de forma relevante as estratégias de prevenção de AVC e doenças cardiovasculares.

escrito com o apoio da inteligência artificial
este texto foi gerado por IA sob curadoria da equipe do Tropiquim.
todos os fatos foram verificados com rigor.
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